
Muitas são as crianças abrigadas que sofreram abuso sexual. Este abuso
pode se dar de várias formas, o ato em si, ou de forma mais cruel, sim
tem uma forma pior, onde a vitima, passa a atuante da ação. Elas são
manipuladas, desde pequenas, a achar que aquilo é normal, seja com
carinhos mais íntimos, seja com filmes adultos, masturbação, sexo explicito... A criança cresce achando que aquilo faz parte da relação filho-pai.
E aí, quando chegar à sua casa???
Algumas que compreendem o ato como uma violência física vão se tornar
mais arriscas, evitando o contato, se estremecendo e encolhendo a cada
abraço, mas muitas não vão entender que foram vitimas e vão buscar este
contato mais intimo - como parte de se sentir aceita - com o novo
pai/avô/tio... Afinal, é normal repetir todos os comportamentos que
tiveram e que foram ensinados na família de origem com a família
afetiva. E aí esta a maior crise, muitas destas novas famílias as
devolvem, taxando as crianças de pervertidas, taradas, ninfomaníacas,
degeneradas espiritualmente e sem caráter. Trazendo mais traumas e culpa
para a criança ou jovem!
Não há uma receita pronta para fazer
esta criança ou jovem compreender o fato ao todo, necessitará da
presença e perseverança de todos os envolvidos, que ensinará como são os
laços afetivos de uma família saudável, muita paciência sobre o ensinar
repetidamente a mesma coisa, até que os velhos hábitos sejam esquecidos
e os novos compreendidos. É logico que a nova família irá necessitar de
apoio psicológico e que não será em curto prazo que os resultados
começarão a aparecer.
Não existe, neste tipo de trauma, uma
recuperação imediata, a nova família necessitará de muito AMOR e
DETERMINAÇÃO para superar os obstáculos e galgar a vitória sobre o ato
mais desumano que uma pessoa pode sofrer, ter o seu corpo e alma
violados!
Como diz a Rosana Silva do GAAAI-PR - "Receber
um filho vítima de abuso sexual demanda além de boa vontade, muita
resiliência e preparação. É necessário entender o que o abuso causa ao
desenvolvimento da criança, quais serão os comportamentos esperados,
como lidar com eles, a indispensabilidade
de acompanhamento psicológico da criança E DOS PAIS ADOTANTES. Insisto:
não basta ter boa vontade, é necessário preparar-se para entender,
enfrentar e vencer grandes desafios, mas o retorno será intenso, o amor
será dobrado."