segunda-feira, 11 de abril de 2016

Sou mãe de uma criança com TDA!






Sei que normalmente escrevo sobre adoção, mas hoje venho desabafar, estou cansada de receber e-mails, mensagens e de ser marcada em postagens contra o uso da ritalina e outras medicações da mesma natureza, que sugerem que deixam crianças como zumbis!

Primeiro quero deixar claro que sim, sou contra a medicação de crianças e adolescentes e acredito sim, que exista o uso indiscriminado destas medicações. Qualquer criança com energia normal de criança, hoje é tida como hiperativa e então segue medicada para dar menos trabalho aos professores e pais, quando deveriam estar correndo, pulando, subindo em árvores, para queimar energia, como era antigamente. Segundo, se a criança esta com comportamento "zumbi" (falta de sono, falta de apetite, sem interação), deve retornar ao neuropediatra e informar, onde será ministrada nova dosagem ou outro tipo de medicamento, infelizmente esta adequação é por tentativa e erro.

Saiba que, só quem é mãe e pai de uma criança diagnosticada – corretamente – com TDA ou TDAH sabe quando tarefas simples, como comer, tomar banho, escovar os dentes se transformam em uma batalha. Estudar então, chegar a ser a hora do terror de muitos pais, mães e filhos.


Depois de muitas terapias, aulas extracurriculares, atividades físicas, reforço, terapias convencionais ou não convencionais (como hipnose), muitos acabam cedendo ao auxilio da medicação. Vejam, quando um filho tem diagnostico de TDA ou TDAH, muitas vezes isso não vem sozinho, vem acompanhado de DPAC, dislexia, TOC, TCL, TDO e os pais precisam lidar com o luto do filho idealizado, ao mesmo tempo, precisam aceitar a nova realidade e já buscar ajuda para o seu filho, passam então a viver em outro universo, o do preconceito!

Muitas escolas tratam as crianças portadoras de TDA ou TDAH como bagunceiras, sem limites, sem educação, desinteressadas, às vezes, mesmo com laudo médico, alguns professores não sabem abordar de forma diferenciada estes alunos.

Na sociedade, este pré-julgamento continua, julgados como “pais bananas” e permissivos, que aceitam tudo que o filho faz, estes pais são constantemente avaliados pela falta de controle sobre os filhos, quando então, já esgotados de todos os julgamentos e tratamentos, muitas vezes com pouco ou nenhum resultado visível, optam pela medicação como porta de salvação para que o filho, passe então a produzir de forma esperada na escola e perante a sociedade, passam então de “pais banana” a algozes, que dopam o filho com medicações para então dissimular a falta de controle sobre os filhos.

Nada machuca mais os pais do que este julgamento!


Desconheço um pai ou mãe, que se pudesse não medicar o filho, não pararia imediatamente. Eles cedem a esta esperança por falta de melhora visível ou suficiente nos outros tratamentos efetuados. Só quem é pai e mãe, sabe a luta diária que é ler um texto, fazer uma continha, efetuar uma interpretação, se o filho for portador de TDA ou TDAH. Se abrimos mão de nossas verdades, em busca de uma melhora dos nossos filhos, não é porque somos irresponsáveis, muito pelo contrário, desejamos que nossos filhos melhorem, se desenvolvam, sejam capazes de executar tarefas que as crianças da idade deles fazem.

Não merecemos sermos julgados por estarmos tentando o melhor para nossos filhos, por desejarmos ajuda-los a se desenvolverem e se tornarem adultos conscientes, responsáveis por suas vidas.

Somos pais de crianças especiais e para elas lutamos todos os dias contra todos, incluindo o preconceito!