Recentemente tivemos uma postagem, que
viralizou nas redes sociais, que criticou a demora no processo de adoção,
acabou que saiu das esferas da adoção e foi para diversos meios, inclusive
virou reportagem.
Hoje, possuímos perto de 43 mil
habilitados no Brasil, pessoas que já passaram por todo o processo de
habilitação (curso, visitas, entrevistas) e já estão cadastrados no CNA –
Cadastro Nacional de Adoção e em contrapartida, possuímos perto de 8,5 mil
crianças e adolescentes aptos a serem adotados.
Então, porque estas crianças continuam
em acolhimento, já que há muitos mais adotantes que crianças e adolescentes
disponíveis para adoção? A explicação é simples, estas crianças e adolescentes
não estão dentro do perfil que os habilitados desejam, na grande maioria, aceita
crianças brancas ou pardas, 65% dos habilitados querem somente uma criança, 92%
aceitam até 7 anos e saudável!
Do outro lado, nos abrigos, 60% possuem
irmãos, 26% possuem alguma deficiência ou comprometimento, quase 55% são
meninos, 65,39% são pardos ou negros e 62,4% tem mais de 8 anos. As equipes
técnicas, juízes, promotores estão cada vez mais cientes de que devem agilizar
os processos de retorno a família biológica ou destituição das crianças, mas
sempre respeitando o que a lei impõem sobre prazo e prioridade da criança em
viver com a família de origem, a adoção é exceção, não regra! Nenhuma comarca
“esconde” criança para que elas fiquem “velhas” para depois destituírem.
Ninguém, em nenhum grupo de adoção ou na
vara da infância, vai obrigar que os habilitados ampliem o perfil para que a
adoção ocorra mais rápido, mas é vital que as pessoas tomem conhecimento da
realidade dos perfis das crianças aptas a serem adotadas, pois, infelizmente,
temos nos abrigos 8 mil crianças e jovens que estão excluídos de viverem em
família, pois estão velhos, ou porque possuem irmãos ou ainda porque exigem
alguma demanda a mais - cirurgia, acompanhamento psicoterápico, pedagógico,
neurológico e psiquiátrico. Estas crianças e jovens, crescem na maioria das
vezes, sem referência familiar, sem apoio emocional e aos 18 anos, precisam
deixar os abrigos e seguir uma vida sem ajuda, às vezes, eles formam repúblicas
para tentar apoiarem-se entre si a fim de superar os obstáculos que a vida
adulta impõem.
Buscar se informar de todas as fases que
um processo de adoção tramita, desde o acolhimento de uma criança até a adoção
de fato, assim como, se preparar para a chegada dos filhos (inclusive a
paciência de esperar, quando o perfil é mais restrito) é vital para que todo o
processo ocorra de forma tranquila e madura para todos. O processo de adoção é
claro: basta os candidatos buscarem as informações nos diversos grupos de apoio
a adoção espalhados pelo Brasil, nos cursos obrigatórios para se habilitar e
ainda com a própria equipe técnica da vara onde a pessoa mora.
Texto:
Elimeiri Autuori Tomazeti
Fonte:
http://www.cnj.jus.br/sistemas/infancia-e-juventude/20530-cadastro-nacional-de-adocao-cna

