segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Falando Sobre Adoção



Recentemente tivemos uma postagem, que viralizou nas redes sociais, que criticou a demora no processo de adoção, acabou que saiu das esferas da adoção e foi para diversos meios, inclusive virou reportagem.
Hoje, possuímos perto de 43 mil habilitados no Brasil, pessoas que já passaram por todo o processo de habilitação (curso, visitas, entrevistas) e já estão cadastrados no CNA – Cadastro Nacional de Adoção e em contrapartida, possuímos perto de 8,5 mil crianças e adolescentes aptos a serem adotados.
Então, porque estas crianças continuam em acolhimento, já que há muitos mais adotantes que crianças e adolescentes disponíveis para adoção? A explicação é simples, estas crianças e adolescentes não estão dentro do perfil que os habilitados desejam, na grande maioria, aceita crianças brancas ou pardas, 65% dos habilitados querem somente uma criança, 92% aceitam até 7 anos e saudável!
Do outro lado, nos abrigos, 60% possuem irmãos, 26% possuem alguma deficiência ou comprometimento, quase 55% são meninos, 65,39% são pardos ou negros e 62,4% tem mais de 8 anos. As equipes técnicas, juízes, promotores estão cada vez mais cientes de que devem agilizar os processos de retorno a família biológica ou destituição das crianças, mas sempre respeitando o que a lei impõem sobre prazo e prioridade da criança em viver com a família de origem, a adoção é exceção, não regra! Nenhuma comarca “esconde” criança para que elas fiquem “velhas” para depois destituírem.
Ninguém, em nenhum grupo de adoção ou na vara da infância, vai obrigar que os habilitados ampliem o perfil para que a adoção ocorra mais rápido, mas é vital que as pessoas tomem conhecimento da realidade dos perfis das crianças aptas a serem adotadas, pois, infelizmente, temos nos abrigos 8 mil crianças e jovens que estão excluídos de viverem em família, pois estão velhos, ou porque possuem irmãos ou ainda porque exigem alguma demanda a mais - cirurgia, acompanhamento psicoterápico, pedagógico, neurológico e psiquiátrico. Estas crianças e jovens, crescem na maioria das vezes, sem referência familiar, sem apoio emocional e aos 18 anos, precisam deixar os abrigos e seguir uma vida sem ajuda, às vezes, eles formam repúblicas para tentar apoiarem-se entre si a fim de superar os obstáculos que a vida adulta impõem.
Buscar se informar de todas as fases que um processo de adoção tramita, desde o acolhimento de uma criança até a adoção de fato, assim como, se preparar para a chegada dos filhos (inclusive a paciência de esperar, quando o perfil é mais restrito) é vital para que todo o processo ocorra de forma tranquila e madura para todos. O processo de adoção é claro: basta os candidatos buscarem as informações nos diversos grupos de apoio a adoção espalhados pelo Brasil, nos cursos obrigatórios para se habilitar e ainda com a própria equipe técnica da vara onde a pessoa mora.

Texto: Elimeiri Autuori Tomazeti
Fonte: http://www.cnj.jus.br/sistemas/infancia-e-juventude/20530-cadastro-nacional-de-adocao-cna

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Fica a Reflexão - Quero ter um bebê ou quero ser mãe?



    Esta semana fui chamada de ignorante, que tenho cascos, sem empatia, agressiva, infeliz, pobre de alma, sem tato.... Porque respondi, em uma postagem onde a pessoa reclama que deste 2002 (16 anos???) NÃO há nenhuma adoção na sua cidade (interior do Paraná), e que ela sente uma tristeza imensa pq a vez dela não chega.
Segue minha resposta na integra, sem edição, rsssss

“Triste pq? 
Não é sinal de que nenhuma criança está sendo negligenciada?     
Que, mesmo as que vão para o abrigo, estão conseguindo voltar para as suas famílias de origem?
Não é sinal de que, o número de gestantes drogatitas estão menores na SUA CIDADE?
Ou você acha que o juiz está abrigando bebês e deixando lá por 18 anos, só para a fila não andar?”


     Gente, que cidade ótima, este não é o sonho de todos, de que as crianças não sejam vítimas de maus tratos, de abandono, de violência? São 16 anos que nenhuma criança, na cidade dela, precisa sair de sua família de origem, quem dera que o Brasil todo fosse assim!

     Eu sou a devoradora de sonhos desalmada nos grupos, quando falo que há dois tipos de habilitados, o que quer ter um bebê e o de ser mãe, o primeiro, que deseja o bebê, é aquele que, muitas vezes, não conseguiu gerar, espera que venha a tão compensação de Deus para o seu coração, acha que só assim se sentirá completa, trocando fraldas, choros pela madrugada, ensinando a andar, falar, desfraldando.  E há o segundo grupo, que sonha em ser mãe, corre atrás, se prepara, estuda, se informa, levanta e assume o que deseja e paga o ônus do desejo da maternidade, seja ela bebê, seja ela uma criança especial, seja uma adoção tardia ou grupo de irmãos, NÃO fica condenando ninguém pelo ônus da sua escolha.

     Eu, quando iniciei o processo de habilitação li uma seguinte frase: É de uma crueldade imensa quem fica chorando porque não tem bebês para adoção! Não lembro quem escreveu isso, foi no antigo ORKUT. Levei tempo para entender, mas compreendi muito bem! Quando o adulto fica “batendo o pé” pq quer um bebê, ele está desejando que uma mulher sem estrutura engravide, que viole os direitos daquele ser já no útero, que o exponha a drogas, álcool, doenças, que toda a sua família extensa (avôs, tios, genitor) seja tão negligente como a genitora. E desejar que, em vez de ir para um berço ricamente decorado especialmente preparado para ele, vá para um abrigo, onde não terá o aconchego de mamar no peito, nem colo de madrugada nas cólicas que insistem em aparecer no meio da noite.

     Não tô escrevendo isso para que todos corram para as VIJ mudar o perfil para adoção tardia, especial, grupos de irmãos, os bebês também merecem ser adotados, mas quando critico uma postagem, e isso faço mesmo, tento instigar o pensamento do pq deixar para ser mãe daqui 10 anos, se já há crianças para adoção hoje?


Fica aí a reflexão!