A ideia deste blog é compartilhar meus pensamentos, minha analise e criticas deste tempo todo de luta no mundo adotivo, sempre defendendo a bandeira: Adoção legal, Segura e Para Sempre!!!
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Quem pariu Mateus que o embale... Será Verdade Isso???
Muitos ainda apontam as crianças abandonadas em abrigos e as que vivem na rua como um “Problema dos Terceiros”, futuros delinquentes, que seguirão os mesmos passos de seus genitores e passam por elas de forma rápida ou as nem enxergam...
Estas crianças vêm de famílias desestruturadas, seja pelo vicio (drogas ilícitas e álcool), seja pelo circulo vicioso de desestrutura social, ética e moral que a família vive a gerações.
Cabe sim, a sociedade, assumir esta responsabilidade de amparar, instruir e garantir um futuro menos árido a estas crianças! Enquanto não assumirmos esta responsabilidade esta chaga da sociedade não irá sarar, continuaremos neste circulo de violência, agressividade e abandono.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Perfil desejado e perfil possível, adoção é igual parir?
Hoje vim falar um pouquinho que aprendi nestes 3 anos de mundo adotivo... Perfil!
Óbvio que o perfil tem que ser respeitado para que a adoção seja concretizada de forma mais tranquila, mas que muitos não falam nos texto é sobre o perfil das crianças aptas à adoção.
Muitas são as pessoas que me escrevem reclamando da demora em adotar, mesmo tendo perfil amplo... Logo desconfio que este perfil amplo tenha algumas restrições que o torna um perfil restritivo. Converso, vou questionando e por incrível que pareça, muitas são as pessoas que não aceitam filhos de drogaditas, alcoólatras, problemas mentais... Muitos fazem a exigência que a criança seja órfã! Isso sem falar que tem que ser branco ou - no máximo - “pardo claro”!
Então, faço duas perguntas a todos que continuam na espera para reflexão:
1) Por que você acha que as crianças são abrigadas?
2) Qual o perfil físico destas crianças?
Posso adiantar que por motivo de entrega consciente e por orfandade não chega a 1% das crianças abrigadas hoje no Brasil e que a grande maioria são pardos (pardo de verdade, pardo claro não existe)!
O que o habilitado ou candidato a adoção deve lembrar que parir é MUITO diferente de adotar. Não tem como adotar um filho idêntico ao pai e/ou com o sorriso da mãe, onde os genitores fizeram o pré-natal, que a criança foi amada e cuidada deste a sua fecundação, muito pelo contrário, a grande maioria das crianças foram expostas a uma vivência de vida pesada, deste a sua fecundação, carregam traumas físicos e emocionais, não foram desejadas e muito menos amadas...
Quem opta por uma adoção, deverá ter amor de sobra para ensinar a estas crianças que a vida pode e deve ser diferente, que o amor incondicional existe!
Para quem deseja adotar, deve lembrar sempre da frase da Dra Lidia Weber - “Adotar é acreditar que a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino"!
A conta não fecha... De quem é a culpa?
É tão comum achar reportagens e mais reportagem culpando os habilitados pelo não fechamento da conta na hora da adoção. Normalmente achamos os seguintes dados: 60 mil habilitados para 5 mil crianças aptas para adoção! A culpa é dos habilitados, pronto!
Do outro lado, habilitados que não aceitam a culpa, se dizem injustiçados, pois possuem perfil amplo (qualquer etnia, qualquer sexo) até 5 anos. Que a culpa é do judiciário, que leva anos para destituir do poder familiar, para então disponibilizar para adoção.
Hoje (29/06) O Globo postou uma reportagem (Demora da Justiça faz criança perder chance de adoção) onde diz o seguinte:
“...Um estudo elaborado a pedido do Conselho Nacional de Justiça mostra que uma criança só é colocada para adoção após quatro anos, em média, nas principais cidades de três regiões do país (Norte, Centro-Oeste e Sul). No Sudeste, o processo de perda do poder familiar dura, em média, três anos e três meses. Recife, a representante do Nordeste no estudo, é a única cidade onde esse processo leva menos de um ano. São, em média, nove meses – ainda assim, muito superior ao que preconiza a nova Lei de Adoção, aprovada há mais de cinco anos, que estipula um teto de 120 dias para a conclusão do procedimento...”
Óbvio que a Justiça tem culpa, seja porque na grande maioria das cidades NÃO há varas especificas de infância e juventude para tratar do assunto com prioridade, tendo que dividir com a vara civil e às vezes, criminal, seja porque as equipes são pequenas e não dão conta da demanda de agilizar os processos. Isso é FATO! Não se discute isso! Sim, o judiciário tem sua parcela (alta por sinal) de culpa!
Mas cabe aos habilitados sentar também no “cantinho do pensamento” e assumir suas responsabilidades!
Nós habilitados???
Sim, todos os habilitados que restringem o perfil para até 5 anos, sem irmãos, saudável tem culpa da conta não fechar!!!
TODOS sabem que a grande maioria das crianças já chegam aos abrigos em media nesta idade, às vezes um pouco mais ou menos e a grande maioria tem irmãos!
Algumas varas, vendo a dificuldade de adoção destas crianças, aceitam separar, mas sempre como ULTIMO recurso, esta na lei, que deve se tentar de todas as formas (incluindo adoção internacional), a permanência de um grupo de irmãos na mesma família, não é o juiz enrolando para colocar as crianças para adoção, é lei!
Ah! Mas no abrigo que fui visitar, tem um monte de bebês! E eles?
Tem sim, um monte de abrigos com bebês! Então vamos às hipóteses:
1) Mãe drogatícia ou maus tratos por virtude de depressão ou uso de drogas, em fase de tratamento e sem família extensa para assumir a guarda. Aguardando estudo psicossocial sobre a evolução dos tratamentos.
2) Abandono em maternidade, necessário investigação de possível família extensa, para posterior processo de DPF. Tempo médio de 1 ano entre investigação e DPF, caso seja necessário.
3) Família em dificuldades (morador de rua, desempregado e sem recursos), abriga a criança até a família se reestruturar e poder assumir a guarda.
4) Criança apta a adoção, mas sem pretendentes, uma fez que foi exposta ao vírus do HIV, sífilis congênita, toxoplasmose, filhos de usuários de drogas, filho de estupro, entre outras possibilidades.
5) Criança com diagnostico não fechado para problemas neurológicos, sem conhecimento sobre as extensões dos problemas de saúde e o que isso vai representar ao longo de sua vida.
6) E o um dos mais comuns motivos... Tem mais 3 irmãos, entre 4 e 13 anos, então não há adotantes brasileiros para o quarteto. Cadastrado para adoção internacional.
Então... Nenhum juiz vai sair por aí, "tirando" o poder familiar de famílias, sem qualquer ordem e bom senso, somente para dar para adoção e agilizar a fila!
Os habilitados conhecem a realidade das crianças abrigadas, então de nada adianta saber que raramente há bebês, brancos, saudáveis, sem irmãos para adoção e insistir em tem um perfil assim e reclamar da demora!
Vamos no colocar no “cantinho do pensamento” e assumir que, uma vez que a gente só aceita crianças saudáveis, até 5 anos e sem irmãos, a gente tem culpa pela conta não fechar?!?
Eu aceito a "minha parcela de mea-culpa”, quando exclui do meu perfil adolescentes!
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