sábado, 21 de novembro de 2015

Estágio de Convivência - o bem estar da criança ou o meu, o que importa?



Vivemos no era que tempo é dinheiro, isso é uma premissa que todos aprendemos destes pequenos e que não conseguimos esquecer... Quando crescemos, isso passa a ser mais presente na vida da gente e por isso, quando pensamos em constituir uma família, deixamos este projeto cada vez para mais tarde, afinal, não temos tempo de nos dedicar aos filhos, a carreira em 1º lugar.


Quando optamos pela adoção, levamos a premissa (Tempo é dinheiro) com a gente e esquecemos que a criança NÃO é um HD, onde podemos fazer um becape, formatar e reprogramar, por isso o estágio de convivência é tão importante.

Muitos são os habilitados que se barram no estágio de convivência, achando que deveria ir ao abrigo pegar e levar para casa, acreditando que atendendo as necessidades básicas como alimentação, abrigo e proteção é suficiente, esquecem que o núcleo de confiança da criança esta nos contatos diários dela, o abrigo, a mãe social, a enfermeira, a cozinheira, a cuidadora, a monitora, querem desrespeitar o tempo que a criança necessita de se adaptar, confiar, amar aquelas novas pessoas que serão sua família...

A criança, por menor que seja, tem uma historia que carrega com si, dar este tempo é respeitar a criança com individuo único e independente. Obvio, que quanto menor a criança, menor será o tempo de estágio de convivência, mas ele se faz necessário para todas, inclusive bebês. Desta forma, evita-se estresse e problemas desnecessários, que o próprio adulto pode causar com uma pressa desnecessária. 

É importante ressaltar que as influências que o meio e a família têm para a saúde mental e física da criança, por isso o tempo de convivência - pré adoção - é indispensável, para que o vínculo familiar se forme gradualmente, com laços de confiança e amor, vínculo seguro, estruturado e permanente!

Diferença de Idade... Vamos pensar sobre isso?


Todos sabem que sou mãe por adoção de 2 crianças. O que nunca comentei é que quando resolvi adotar sempre pensei na idade da criança...

Pode ser preconceito e/ou planejamento meu, classifique como quiser, mas sempre quis que meus filhos tivessem idade compatível com a minha, pois quando eu estivesse com 60 anos, meus filhos já fossem adultos, necessitando menos de mim.

Supondo que eu fosse mãe biológica do S., ele teria nascido quando eu tinha 26 anos e a J. aos 34 anos... Então, quando eu me aposentar aos 56 anos, ambos já terão mais de 20 anos, ou seja, na MINHA opinião, nossas idades são compatíveis!

Eu sei a demanda física e emocional que cada uma das idades exige de mim e do meu marido, e penso que se tivesse um bebê aos 50 anos, não teria pique, energia e paciência para aguentar tudo! Óbvio, que tem mulheres aos 50 anos em plena forma física, mental e tem disposição para dar e vender, mas estes são casos isolados! 

Porque estou escrevendo tudo isso???

Muitas mulheres me escrevem querendo informações sobre adoção... São mulheres ACIMA dos 40 anos, que ainda sonham com um bebê de 1-2 anos, mas será que elas pensam em longo prazo???

Vejam, entre elas começarem a habilitação, até a adoção de fato, vai levar (em media) 6-7 anos, quantos anos elas terão até que seus filhos cheguem a independência???

Muitos vão me condenar por esta postagem, mas o que quero fazer é colocar esta interrogação dentro de cada uma destas pessoas! Há tantos adolescentes aptos à adoção e/ou crianças “um pouco mais velhas”...

Queremos realizar uma nova adoção daqui há 8 anos, quando o nosso S. já terá 18 anos, mas já decidimos, será adoção de adolescente acima de 13 anos!

O que posso falar?
É que realizar adoção tardia, é tão gratificante quando adotar bebê e falo isso com conhecimento de causa, já que fiz as duas adoções!

Como falou a Helena Silva em um grupo à adoção -"É realmente maravilho não ser velho aos 75 anos. É realmente trágico ser velho demais aos 9." - Ou seja, muito me escreveram falando do pre-conceito desta postagem quando a fiz nos grupos de apoio, o quanto os candidatos se sentem jovem e dispostos, mesmo após aos 40 anos, mas esquecem o quanto são preconceituosos com crianças e jovens acima dos 7 anos, as taxando de velhas demais para serem adotadas! 

Acho que vale uma reflexão das pessoas!

Como Funciona a Fila de Adoção?


Creio que todos que militam em prol da adoção, já receberam inúmeros questionamentos de como funciona a fila da adoção. Muitos revoltosos reclamam que, mesmo estando no CNA para adotar em todo o território nacional, nunca foram chamados e aguardam à anos seu/sua tão sonhado filho(a). 

O que os habilitados devem se atentar é que: 
1) Não adianta em colocar total disponibilidade para viagens se o perfil é para: crianças até 5 anos, saudável, branca, parda, indígena, podendo ter até 1 irmão dentro do mesmo perfil. Com este perfil, somente adota na própria comarca.

2) Não adianta colocar total disponibilidade para viagens se o perfil é para: Menina até 8 anos, sem irmãos, saudável. Com este perfil, somente adota na própria comarca.

O perfil passa a ficar interessante para busca ativa quando:

Aceita-se crianças somente saudável, mas... Aceita grupos de no minimo 3 irmãos e crianças acima de 8 anos no grupo. 

Aceita-se Menina ou Menino, mas... acima de 8 anos, sozinho(a), qualquer etnia. 

Aceita-se duas crianças, mas... o mais velho pode ter acima de 7 anos e de qualquer etnia.

Aceita-se somente uma criança até 6 anos, mas... de etnia indiferente e com algum comprometimento leve intelectual ou físico*
* Crianças de qualquer etnia, saudável até 6 anos, sozinha, independente de sexo, há habilitados na própria comarca para elas. 

Aceita-se crianças somente brancas, mas... portadoras de: SAF, PC, SD e outros comprometimentos intelectuais. 
Exemplo 1)
Exemplo 2)


Está é a realidade do mundo adotivo. É triste, mas quem está do outro lado, fazendo buscas ou trabalhando nas VIJ sabe bem disso!


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Nossa História...




Falar de Adoção é Muito fácil para mim, sou uma entusiasta do tema, mas poucos sabem o quanto chorei quando resolvi tornar o sonho em realidade!

Deste que me lembro, sempre falei que quando crescesse iria adotar, minha mãe nunca deu bola, coisa de criança, era assim definido! Os anos passaram, mas a certeza que meus filhos não viriam da barriga era certa! Foquei em estudar, formar e arrumar um bom emprego. Aos 26 anos deixei claro para a minha família, se até os 30 anos não me casar, partirei para a adoção sozinha!

Dois anos depois conheci meu marido, um homem tranquilo que não se importava com a questão de sangue, que tinha diversos casos de adoção na família e para ele o tema era corriqueiro e tranquilo... Casamos logo depois e nos concentramos em conseguir a casa própria, deixando o sonho da adoção para mais tarde, depois de 4 anos de casados ele me propôs, durante as férias em Natal, que aumentássemos a família, que eu me informasse sobre o processo de adoção para darmos entrada no próximo ano e que planejássemos uma adoção para dali 2 anos - Nada de pressa, temos tempo! - lembro que ele me disse! Assim que voltamos liguei para o fórum da minha cidade e recebi um balde de água fria, para o perfil desejado por nós na época (menina, qualquer etnia, entre 4 e 6 anos) a espera era em média de 5 anos! Nunca nos sentimos tão triste, mas resolvemos aproveitar o restinho das férias para ajeitar tudo e dar entrada, já que a espera seria longa, era melhor entrar o quanto antes!

Acho que o sentimento que a gente tem nesta época de habilitação, é a mesma que um casal tem quando esta tentando engravidar e o positivo nunca vem... Só que o nosso POSITIVO, é o nosso cadastro na lista do CNA!

Lembro que me senti muito frustrada neste processo inicial, na nossa comarca não tinha curso na época e dependíamos da comarca vizinha, tinha as férias do meio do ano e tudo parava... Tinha a férias do final de ano, e tudo parava... Os meses passaram... Vimos diversas crianças entrarem e saírem da busca ativa nos grupos que participávamos, nosso perfil mudou ao longo dos meses, mudamos para 2 crianças, qualquer sexo, qualquer etnia e até 8 anos. Lembro que foi a única vez que pensamos em partir para uma gravidez “normal” - apesar de ter sabido de um menino que estava para adoção e sem pretendentes (devido à idade e histórico), até chegamos a mandar um e-mail, mas as semanas passaram e sem resposta. - Então resolvemos marcar uma consulta com uma geneticista, para saber qual era a porcentagem de chances de termos um filho com má formação, já que nasci com lábio leporino, para o caso da habilitação ser negada, seria nosso PLANO B!

Lembro que viajamos em silencio até Bauru/SP, quando entrei no consultório, meu marido não quis entrar, para que eu me sentisse mais a vontade com ela, ela já tinha todo meu histórico e exames, então seria mais para ter um veredito, que para trocar uma ideia... 7% de chances, mesmo em uma fecundação assistida, pouco para a grande maioria, mas uma porcentagem gigante para quem é de exatas! Quando que sai do consultório, pensando em como iria falar para meu marido que não exista um plano B, encontrei na sala de espera um homem extasiado e eufórico! Ligaram, eles ligaram!!! Ligaram sobre o Samuel!!! Ali senti que era um sinal de Deus, que estávamos no caminho certo, que nosso filho estava perto de nós, bastávamos não desistirmos e sermos mais persistentes! Não poderíamos adota-lo ainda, já que não estávamos habilitados, mas como não havia habilitados interessados nele, a vara iria esperar nossa habilitação sair, mas deixaram claro: Se surgir outra pessoa habilitada antes de sair a de vocês, eles terão prioridade, pois o menino não pode ficar abrigado esperando!

Mais 3 meses de espera e a nossa habilitação saiu, em maio de 2013 entramos no CNA, o tão esperado POSITIVO tinha acontecido! A vara do nosso filho, que acompanhava tudo de longe, ligou na mesma semana, marcando a nossa ida para dali duas semanas para o estágio de convivência. Nosso parto estava marcado e seria normal, com as dores, medos e choros, sem direito a peridural, o trabalho de parto seria totalmente nosso, sem os familiares e amigos junto! As “doulas” nos ensinavam - via internet nos grupos de apoio - as técnicas de suavizar as dores e ansiedade e seguimos para buscar o nosso bebê de 8 anos, não no berçário, mas em uma VIJ, cercados de psicólogas, assistentes sociais e juiz, desta forma, nos tornamos pais de fato, pois espiritualmente já éramos a muito tempo!

Meses depois chegou a vez de ampliar a família novamente, novas dores, medos e anseios, voltamos aos CNA muito rapidamente, uma vez que quando o Sam chegou pedimos a suspensão da habilitação para nos dedicarmos somente a ele, mas a espera, esta é inimiga de quem quer ter um filho... Meses de espera, exatamente 8 meses e 4 dias contados um a um, mas desta vez tocou o meu telefone, não o do meu marido! Estava no trabalho e lá vem, a informação - Uma menina, negra, 1 ano e 2 meses, com má formação tratável, quer ou não quer? Eu quero, mas tenho que falar com o meu marido, posso te responder um pouco mais tarde? - Confesso que não lembro como cheguei em casa, lembro de entrar e me encostar no balcão e o encarar do outro lado da cozinha ele já com os olhos cheio de lagrimas falou: Nossa filha chegou! Nossa Neguinha!

Acreditamos que tudo seria rápido, faltavam poucos dias para o Natal e com certeza a juíza iria querer que fossemos busca-la dali 2 ou 3 dias, novo balde de água fria, parto marcado somente janeiro de 2015, próximo ano, uma espera angustiante, mas foi necessária e providencial para prepararmos tudo!

Lembro como se fosse hoje, a ansiedade na viagem de ida, o Samuel fez questão de ir junto... A primeira visita ao abrigo o Sam não foi, ficou com os tios... entramos no abrigo, sentamos na sala de espera, entrevista com a psicóloga do abrigo e foram buscá-la, a enfermeira entrou e eu não consegui ter qualquer reação, fiquei abismada, a achei minúscula para ter 1 ano e 3 meses, fiquei apavorada de pega-la e derrubar, meu marido então tomou a dianteira, já aconchegando nossa filha Júlia no colo!

Assim nossos partos foram concluídos, um cheio de emoção, às pressas e outro calmo e tranquilo... Se teremos um 3º parto? Provavelmente sim!

ATUALIZANDO...

Em 15 dezembro de 2016 meu telefone toca às 15:10h, já no identificador reconheço o numero do telefone da nossa comarca, imaginando se tratar de um pedido de depoimento em algum novo curso de preparação de adoção atendo, mas logo levo um enorme susto... havia uma bebezinha de 7 meses dentro do nosso perfil, questionando se podíamos ir naquele mesmo dia na comarca para sabermos mais sobre ela. Liguei para o meu marido confirmando a disponibilidade dele e marco com a equipe para dali 2 horas. Fomos lá, eu, meu marido e o nosso filho Sam, os casais da frente a recusaram, ela tinha intolerância a lactose ou a proteína do leite, sem confirmação, prematura, no mais era saudável. 


Recusamos ver foto, perguntamos se podíamos ir naquele mesmo dia conhece-la e era nossa filha, seja qual perfil fosse! Seguimos os três a casa lar e já fazendo as contas e pensando no que deveríamos comprar, afinal a guarda  sairia no dia seguinte. Chegando ao abrigo encontramos um pacotinho branquinho como o leite, muidinha e delicadinha. Não nos estranhou, nem mesmo se assustou com as brincadeiras exageradas do irmão mais velho, naquele momento a Paula nasceu para a nossa família! 

Ali, olhado naqueles olhos questionadores e tranquilos, descobrimos que a nossa família estava completa, finalmente tínhamos nos reencontrados para traçar nossa caminhada pela vida juntos, nos apoiando mutualmente! 

A espera...