sábado, 9 de julho de 2016

Decidir adotar não é complicado, difícil é decidir ter um filho!


"Decidir adotar não é complicado, difícil é decidir ter um filho!"


Se você fala esta frase, muito já argumentam que não é verdade, que adotar é difícil, como se filho por adoção fosse diferente de ser filho! E não é!

Então antes que você decida ter um filho (independente de qual via venha), saiba que ter um filho é maravilhoso, mas complicado! Ser responsável por um ser, educar, amar, amparar, proteger, mas ao mesmo tempo ensinar a tomar suas próprias decisões, superar medos, dúvidas, angustias, assumir erros e acertos, é complicado, mas falo, é MARAVILHOSO acompanhar tudo isso!

Uma experiência muito boa, mas mega cansativa. Vê-los brincar e ficar pensando em qual profissão vão ter, o que conquistarão no futuro... É empolgante e muito, muito desafiador! Pensar que vão sofrer a 1ª desilusão amorosa, o vestibular, o 1º emprego e desemprego... Achando que tudo isso é muito e é o fim do mundo. Ter que acompanhar tudo, sabendo que é não é tão grave, mas respeitar o momento de crescimento e amadurecimento de cada um. Tentar impor limites, educar, mas saber dosar para ser amigo confidente de suas artes e amores.

Saber que terá dias que você irá dormir muito brava, mas acordar no outro dia com um abraço, um beijo ouvindo: Mãe, te amo! Parece piegas, mas é recompensador!

Ver o sorriso a cada conquista, os olhos brilhando a cada nova aventura... Os passeios, as brincadeiras, as piadas bobas... Deve ser por isso que, por mais que dê trabalho, seja cansativo e caro, a grande maioria não se arrepende da escolha de ter filhos. É como viver tudo novamente, mas com outros olhos, outras expectativas. Tudo ganha um brilho diferente!

Graças à maternidade aprendi que tem coisas que não vale a pena brigar, aprendi a dar um tempo, esfriar a cabeça, depois conversar. Também aprendi que tem coisas que não tem como relevar, que tem que impor limites na hora. Aprendi a brincar, mas a dar um basta, quando chega ao limite. Já a 2ª maternidade me trouxe novos desafios e graças a isso vou aprendendo e crescendo como pessoa. 

Talvez a maternidade/paternidade tenha este objetivo na evolução, nos tornar melhores do que somos, mais humanos, mais pacientes, mais assertivos e, principalmente, mais maleáveis. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Seu passado... Nosso futuro!



Muitos vão perguntar: O que esta doida esta falando do livro Cinquenta Tons de Cinzas em sua pagina de adoção??? rsssss

Muitos leram a trilogia Cinquenta Tons de Cinza, se prenderam ao romance e as cenas de sexo. Eu o li, e como a maioria das pessoas, inicialmente me apeguei na linda história de amor que desenrola e fortalece em cada capitulo, mas depois, resolvi reler e me ater ao lado psicológico...

Um menino, órfão aos 4 anos, filho de uma usuária de drogas, que tinha um cafetão, exposto a todos os tipos de violência e negligencia, espancado constantemente pelo então cafetão de sua mãe, sem ela nunca o defender. A viu morrer e ficou trancado com ela falecida por dias dentro de uma casa. Adotado, leva para sua nova vida, todos os traumas e medos, raiva, repulsa, fobias...

Esquecendo as partes do livro que aborda o lado romântico, sexual e mirabolante de uma vida milionária, muitos de nossos filhos vão vim com mochilas cheias de historias repugnantes, tristes e com muitos traumas.

Não estou falando aqui que uma criança que sofreu maus tratos, vai virar (obrigatoriamente) um sadomasoquista, controlador, ciumento e possessivo... Mas que os nossos filhos são afetados - positiva e negativamente - em grau maior ou menor pelo seu passado, isso é verdade. As vezes se isolando, as vezes desafiando, e a - grande maioria - na forma de se ver, se alto julgando não merecedor de amor, carinho e cuidados, causando muito atrito em sua convivência familiar, assim como o Christian Gray do livro.


Não vou apontar um Norte para ninguém, óbvio que cada historia e cada recomeço vão apontar qual o melhor caminho a tomar. Cabe aos papais, sabendo o quão pesado é esta mochila emocional, tentar ajudar os filhos a carrega-la e ir auxiliando no “descarte” ou “reciclagem”, para que ela fique, se não vazia de lembranças ruins, o mais leve possível.

domingo, 1 de maio de 2016

Carta para Boechat e toda rede Band News


Olá Ricardo Boechat, tudo bem?

Boechat, sou ouvinte de vocês em Curitiba e sempre escuto a Band News Curitiba à caminho do trabalho, após deixar meus filhos em suas respectivas escolas, por isso, por já me sentir um pouco intima de vocês, tomo a liberdade de te escrever para sugerir uma reportagem ou uma série de reportagens para a Band News.

No próximo dia 25 de maio, comemoramos o Dia Nacional da Adoção, nós famílias constituídas pela adoção, militantes da causa, grupos de apoio, habilitados e habilitandos usamos esta semana para militar mais intensivamente como forma de esclarecer e desmistificar a adoção e traçar meta para o próximo ano de atuação dentro dos grupos de apoio.

Boechat, segundo o Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas, existem no Brasil 45.876 crianças e adolescentes abrigados e destes, 6.534 estão aptas a serem adotadas. Destas crianças aptas a serem adotadas, a grande maioria são adoções necessárias, que se classificam em crianças acima de 8 anos, grupos de irmãos, crianças especiais (deficiência física ou mental), adolescentes e crianças portadoras do vírus HIV.

Além de mãe adotante Boechat, sou militante e presidente de um grupo virtual de apoio à adoção. Dentro dos grupos – do Brasil todo – lutamos para que os habilitados ampliem seus perfis para estas adoções. É um luta diária, mas aos poucos estamos mostramos que estas adoções são tão prazerosas como adotar um bebê saudável. Procuramos mostrar aos habilitados que há sim crianças para serem adotadas, bastam eles abrirem os seus lares e corações para estas crianças já destruídas e esperando alguém para chamar de mãe e pai, mas fazendo uma continha básica conseguimos ver que apenas 14,25% das crianças e adolescentes abrigados estão com sua situação jurídica definida.

Quando vejo estes números sinto que algo está muito errado, e que a prioridade absoluta não é assim tão “prioridade”, muito menos “absoluta”. Primeiro: abrigar uma criança deve ser a última medida a ser tomada e sua permanência deve ser a mais curta possível, devem ter a sua situação definida o mais brevemente possível; a lei diz que em 120 dias, ou retorna para a sua família de origem ou é destituído do poder familiar e cadastrado no CNA para adoção, mas sabemos que estes 120 dias raramente é obedecido. Há crianças abrigadas há anos sem definição, outras tantas, já colocadas em famílias adotivas e sem ter uma definição jurídica (o caso mais recente foi o da Duda, em Minas Gerais, que quase terminou em um retorno desastroso a uma família que a criança já não possuía qualquer vinculo afetivo).

Ninguém, fora do mundo adotivo, pensa nestes jovens abrigados, porque ninguém os vê... Ninguém questiona se eles querem continuar abrigados, sem definição, até que os adultos resolvam agir como adultos... Ninguém ouve seus lamentos... Ninguém pergunta quais são seus sonhos... Ninguém os acolhe em seus pesadelos... Ninguém pensa o que será destes jovens ao completarem 18 anos e sem apoio de familiares, na grande maioria das vezes, órfão de pais vivos.

Então, tomo a liberdade de pedir que você e toda a rede Band News, em suas respectivas cidades, vejam, ouçam, mostrem para a toda a sociedade que estes jovens existem, que eles têm voz, que têm sonhos, que desejam ser amparados e amados, e que quando não for mais possível que suas próprias famílias biológicas o tenham como filhos, que todos eles sejam encaminhados para famílias afetivas, que vão ama-los incondicionalmente! Quem sabe, com o apoio de imprensa, estas crianças e jovens passam a ser prioridade, dentro de suas próprias famílias e também dentro do sistema judiciário.

Agradecidamente,

Elimeiri Autuori Tomazeti

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Sou mãe de uma criança com TDA!






Sei que normalmente escrevo sobre adoção, mas hoje venho desabafar, estou cansada de receber e-mails, mensagens e de ser marcada em postagens contra o uso da ritalina e outras medicações da mesma natureza, que sugerem que deixam crianças como zumbis!

Primeiro quero deixar claro que sim, sou contra a medicação de crianças e adolescentes e acredito sim, que exista o uso indiscriminado destas medicações. Qualquer criança com energia normal de criança, hoje é tida como hiperativa e então segue medicada para dar menos trabalho aos professores e pais, quando deveriam estar correndo, pulando, subindo em árvores, para queimar energia, como era antigamente. Segundo, se a criança esta com comportamento "zumbi" (falta de sono, falta de apetite, sem interação), deve retornar ao neuropediatra e informar, onde será ministrada nova dosagem ou outro tipo de medicamento, infelizmente esta adequação é por tentativa e erro.

Saiba que, só quem é mãe e pai de uma criança diagnosticada – corretamente – com TDA ou TDAH sabe quando tarefas simples, como comer, tomar banho, escovar os dentes se transformam em uma batalha. Estudar então, chegar a ser a hora do terror de muitos pais, mães e filhos.


Depois de muitas terapias, aulas extracurriculares, atividades físicas, reforço, terapias convencionais ou não convencionais (como hipnose), muitos acabam cedendo ao auxilio da medicação. Vejam, quando um filho tem diagnostico de TDA ou TDAH, muitas vezes isso não vem sozinho, vem acompanhado de DPAC, dislexia, TOC, TCL, TDO e os pais precisam lidar com o luto do filho idealizado, ao mesmo tempo, precisam aceitar a nova realidade e já buscar ajuda para o seu filho, passam então a viver em outro universo, o do preconceito!

Muitas escolas tratam as crianças portadoras de TDA ou TDAH como bagunceiras, sem limites, sem educação, desinteressadas, às vezes, mesmo com laudo médico, alguns professores não sabem abordar de forma diferenciada estes alunos.

Na sociedade, este pré-julgamento continua, julgados como “pais bananas” e permissivos, que aceitam tudo que o filho faz, estes pais são constantemente avaliados pela falta de controle sobre os filhos, quando então, já esgotados de todos os julgamentos e tratamentos, muitas vezes com pouco ou nenhum resultado visível, optam pela medicação como porta de salvação para que o filho, passe então a produzir de forma esperada na escola e perante a sociedade, passam então de “pais banana” a algozes, que dopam o filho com medicações para então dissimular a falta de controle sobre os filhos.

Nada machuca mais os pais do que este julgamento!


Desconheço um pai ou mãe, que se pudesse não medicar o filho, não pararia imediatamente. Eles cedem a esta esperança por falta de melhora visível ou suficiente nos outros tratamentos efetuados. Só quem é pai e mãe, sabe a luta diária que é ler um texto, fazer uma continha, efetuar uma interpretação, se o filho for portador de TDA ou TDAH. Se abrimos mão de nossas verdades, em busca de uma melhora dos nossos filhos, não é porque somos irresponsáveis, muito pelo contrário, desejamos que nossos filhos melhorem, se desenvolvam, sejam capazes de executar tarefas que as crianças da idade deles fazem.

Não merecemos sermos julgados por estarmos tentando o melhor para nossos filhos, por desejarmos ajuda-los a se desenvolverem e se tornarem adultos conscientes, responsáveis por suas vidas.

Somos pais de crianças especiais e para elas lutamos todos os dias contra todos, incluindo o preconceito! 

segunda-feira, 14 de março de 2016

Histórias de Minha Vida.


Quero falar com vocês sobre a história dos nossos filhos, ela não pertence a nós!

Vou falar um pouquinho da história de uma pessoa da minha família, esta pessoa nasceu em um tempo que não ter o nome do pai em certidão era um estigma imenso, bastardo era o adjetivo mais tênue que recebia. Sua mãe, nunca falou o nome de seu pai biológico, sendo criado pelo pai de criação, irmão mais velho, vó postiça... Sempre que questionava, a mãe falava que o nome ela levaria para o tumulo e assim o fez. Esta pessoa, nos momento de crises internas sempre se lastimava em não saber o nome de seu pai e fazia as piores suposições possíveis!

Sua mãe não respeitou o direito básico de informar a sua origem, sua historia e está foi uma lacuna que nunca se preencheu. A pessoa ficou anos presos neste passado, com a morte da sua mãe, esgotou qualquer possibilidade de saber a quem pertencia. Não é que desejasse viver ao lado do pai, mas seu passado lhe pertencia, e esta pessoa nunca pode recuperar esta parte da sua história, saber de tinha mais irmãos, se tinha avôs paternos, tios, tias, primos e primas! A história da sua família e a sua própria historia.

Quando vamos adotar, normalmente recebemos a historia dos nossos filhos, e quase  sempre a história não é linda, nem heroica, nem cinematográfica, muito pelo contrário, são historias sofridas, difíceis e que vem (de geração à geração) se repetindo, avôs, pais e filhos reescrevendo os mesmos erros, sem conseguir quebrar o circulo vicioso que todos vivem.

Muitas das famílias construídas pela adoção sentem um frio no estomago quando pensa no passado de seus filhos. Se adotam bebê, se questionam se não seria melhor não falar nada, se adotam crianças maiores ou adolescentes e estes o buscam para falar sobre o passado, as novas famílias cortam a conversa, pois acredita que se não falar, o passado será esquecido. Desta forma o passado se torna um estigma, um fardo, um assunto proibido, e a lacuna não se preenche, não se resolve.

Quando estas crianças crescem e vivem em um ambiente de aceitação, onde a sua vivência é respeitada, independentemente se foi boa ou não, onde os adultos envolvidos optam por tentar auxiliar a compreender as duvidas que surjam, onde se podem falar, repetir, pensar, interagir, elas vão resolvendo as questões a cada conversa, a cada palavra.  Solucionando aos poucos os medos, anseios, dúvidas, aflições. Desta forma tornam adultos conscientes da trajetória de suas vidas, fortes e firmes, cientes de que são amados por quem são realmente e não por quem representam ser.