Tudo bem, não
faz tanto tempo assim, mas alguns detalhes se perdem com o tempo... Forço um
pouco a memória e lembro que passamos na VIJ, conversamos com a equipe técnica e
pegamos a autorização para conhecer e começar a aproximação com a nossa pequena.
Com o coração na boca falamos que iríamos naquela mesma tarde ao abrigo, afinal
nossos corações estavam os pulos pela imensa curiosidade de saber como era a
nossa filha e de vontade de pega-la no colo...
Nossa amiga e
cegonha Ana Paula nos leva até ao abrigo, se despede nos desejando sorte com um
sorriso enorme no rosto... Uma nova Cegonha entrava nas nossas vidas para nunca
mais sair... Respiramos fundo e apertamos a campainha do abrigo, logo vem uma
jovem abrir, nos leva na recepção pedindo para sentarmos, vem à psicóloga e ali
começa uma conversa, fico naquele momento imaginando quantas conversas como
aquela elas já tinham invocado e presenciado, quantas historias aquele sofá foi
testemunha e quantas ainda aconteceriam naquele local.
Depois das
conversas, eis que a enfermeira entra com um toquinho de gente no colo – minha mente
bateu asas naquele momento, indo ao passado, exatos 1 ano e meio antes, quando
conhecemos o nosso primeiro filho, um meninão de 8 anos, mas que usava roupas
tamanho 6, que naquele momento pouco lembrava o garoto enorme que ele tinha se tornado
– minha mente volta ao presente se questionando – por que será que crianças
abrigadas são tão miúdas?
Naquele
momento tomei consciência que eu era uma decepção naquele abrigo,
principalmente se a equipe esperava uma mãe calorosa! Estarrecida, assustada,
abismada, congelada eram palavras que me descreviam perfeitamente naquele
momento!
Eu comecei a caminhar na maternidade de trás para frente, meu primeiro filho chegou “criado”. Comia, tomava banho, se arrumava sozinho e agora estava vindo um bebê, era tudo novo, uma nova realidade, na pratica, me tornei mãe de primeira viagem!
Eu comecei a caminhar na maternidade de trás para frente, meu primeiro filho chegou “criado”. Comia, tomava banho, se arrumava sozinho e agora estava vindo um bebê, era tudo novo, uma nova realidade, na pratica, me tornei mãe de primeira viagem!
Quando a gente
esta na fase da espera e recebe o famoso telefonema, a nossa imaginação nos
pega uma peça... 1 ano e 3 meses, esta era a informação que eu tinha, passei a
imaginar o tamanho... Procuramos outras crianças da mesma idade e fomos “montando”
a nossa filha, quando eu a vi entrando, tão miudinha, com aquele olhar enorme,
desconfiado, simplesmente travei e pensei - Vou dar conta? - Meu marido, na hora
viu meu desespero, tomou à dianteira e a acolheu em seu colo. Naquele dia éramos
duas nos questionando, parecia que dava para ver a incerteza no olhar da Juju -
Esta vai ser a minha mãe? Sei Não! Não me parece que ela sabe o que tá fazendo!
Hoje vejo que
a equipe do abrigo sentiu meu pavor, pois me pediram para dar comida, brincar,
dar banho, acho que era para "quebrar o gelo", como dizem! Eu fiz o que me pediram, mas era visível a desconfiança da pequena
em minha capacidade. rssss
Agora os meses
passaram, hoje ela completa 3 anos... Faz quase 2 anos que ela chegou e agora
nada me assusta... Ops! Quase nada! Somente a inteligência da pequena, que é capaz
de dar nó em pingo d’água!
Parabéns Juju! Parabéns Filha!!!
Feliz 3 aninhos!!!







