segunda-feira, 14 de março de 2016

Histórias de Minha Vida.


Quero falar com vocês sobre a história dos nossos filhos, ela não pertence a nós!

Vou falar um pouquinho da história de uma pessoa da minha família, esta pessoa nasceu em um tempo que não ter o nome do pai em certidão era um estigma imenso, bastardo era o adjetivo mais tênue que recebia. Sua mãe, nunca falou o nome de seu pai biológico, sendo criado pelo pai de criação, irmão mais velho, vó postiça... Sempre que questionava, a mãe falava que o nome ela levaria para o tumulo e assim o fez. Esta pessoa, nos momento de crises internas sempre se lastimava em não saber o nome de seu pai e fazia as piores suposições possíveis!

Sua mãe não respeitou o direito básico de informar a sua origem, sua historia e está foi uma lacuna que nunca se preencheu. A pessoa ficou anos presos neste passado, com a morte da sua mãe, esgotou qualquer possibilidade de saber a quem pertencia. Não é que desejasse viver ao lado do pai, mas seu passado lhe pertencia, e esta pessoa nunca pode recuperar esta parte da sua história, saber de tinha mais irmãos, se tinha avôs paternos, tios, tias, primos e primas! A história da sua família e a sua própria historia.

Quando vamos adotar, normalmente recebemos a historia dos nossos filhos, e quase  sempre a história não é linda, nem heroica, nem cinematográfica, muito pelo contrário, são historias sofridas, difíceis e que vem (de geração à geração) se repetindo, avôs, pais e filhos reescrevendo os mesmos erros, sem conseguir quebrar o circulo vicioso que todos vivem.

Muitas das famílias construídas pela adoção sentem um frio no estomago quando pensa no passado de seus filhos. Se adotam bebê, se questionam se não seria melhor não falar nada, se adotam crianças maiores ou adolescentes e estes o buscam para falar sobre o passado, as novas famílias cortam a conversa, pois acredita que se não falar, o passado será esquecido. Desta forma o passado se torna um estigma, um fardo, um assunto proibido, e a lacuna não se preenche, não se resolve.

Quando estas crianças crescem e vivem em um ambiente de aceitação, onde a sua vivência é respeitada, independentemente se foi boa ou não, onde os adultos envolvidos optam por tentar auxiliar a compreender as duvidas que surjam, onde se podem falar, repetir, pensar, interagir, elas vão resolvendo as questões a cada conversa, a cada palavra.  Solucionando aos poucos os medos, anseios, dúvidas, aflições. Desta forma tornam adultos conscientes da trajetória de suas vidas, fortes e firmes, cientes de que são amados por quem são realmente e não por quem representam ser.

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