Hoje eu li em um grupo de apoio um
verdadeiro debate sobre devolução de crianças e adolescentes por suas famílias adotivas...
Algumas pessoas com uma defesa fervorosa destes pais, alegando que eles têm os
mesmos direitos à entrega para adoção que seus genitores!
Sim, fiquei assustada com esta linha
de raciocino e pensei muito se devia, ou não, escrever sobre isso...
Primeiro, os genitores (pais biológicos)
normalmente são pessoas que se levaram pelo vicio das drogas, pela violência. Muitos
sequer possuem a opção de não engravidarem, tamanho o grau de alienação que
vivem. Fora as vítimas de abuso, incesto, agressões e miséria extrema. Então,
os filhos destas pessoas não são abrigados pq seus genitores optam por fornecer
uma chance de vida melhor, na verdade, estes genitores vivem alheios de suas próprias
condições, acreditando que aquela forma de vida e cuidado são normais.
Agora quem opta em adotar, faz isso de
forma consciente, passa por várias entrevistas, e tem a oportunidade de pensar
e rever seu desejo de maternidade/paternidade várias vezes durante todo o
processo de habilitação e espera. Ainda há, depois deste tempo todo, o tempo de
aproximação e estagio de convivência, ainda nesta etapa, dá para a pessoa simplesmente
sair do mundo adotivo, sabe aquele ditado – “quando a água bate na bunda, ou
você aprende a nadar, ou morre afogado" – ainda há nesta fase a realidade
e a possibilidade de retroceder, sim a criança ou adolescente vai sentir a
rejeição, mas em nada se compara a rejeição de viver ANOS em uma família e ser
devolvido depois.
Mesmo depois de todas as dificuldades
da habilitação e a angustia da espera, uma pessoa que opta por dar andamento à
adoção, passando anos com uma criança e a devolve (com ou sem motivo), a MEU
ver, é de uma apatia extrema! Ela não tira “somente” a chance de a criança
conseguir uma família, tira a sua dignidade, sua autoestima, seu amor próprio,
seu respeito, seu valor, a transforma e personaliza em um objeto que deu
defeito, algo sem valor, que pode ser descartado a qualquer momento.
Quem deseja ter filhos têm que saber que
NÃO há selo de garantia e, sendo biológicos ou adotivos, filhos respondem,
filhos quebram as coisas, filhos sujam as roupas, filhos não gostam de estudar,
filhos bagunçam, filhos mudam sua prioridade, filhos tiram privacidade, filhos
dão gastos, filhos ficam doentes, filhos são sujeitos de direito e não bonecos
para que adultos infantis brinquem de casinha até se cansarem e resolvam jogar
no canto!
Excelente texto amiga! Vivo o drama da devolução com meu filho que após 9 meses em uma família, foi descartado porque "deu defeito na escola". Demorou quase um ano pra ser colocado novamente em família e até hoje tem sequelas deste abandono.
ResponderExcluirAdotar é olhar além do seu próprio umbigo.
Concordo com tudo o que disse... mesmo nos momentos de maior frustração (e existem muitos) o sentimento nunca se vira contra um filho de verdade, apenas contra nós mesmos por nos sentirmos incapazes da tarefa de educar, e assim sendo, quem sabe, deveriam ser os filhos a devolver os pais e nunca o contrário!!!
ResponderExcluirEu discordo da devolução mesmo na fase de convivência. Até na fase de aproximação, a rejeição causa sequelas a criança. Essas crianças não tem em que se apegar. Possuem uma grande carência afetiva.
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