Quando
esperamos um filho, parido ou não, começamos a idealizar o seu caminho. Fazemos
grandes planos e então, a grande hora chega! Para alguns o parto ocorre na
maternidade, para outros na vara da família, mas independentemente do local,
ambos são sonhados e idealizados...
O
filho chega e os papais entram - de um só salto - no mundo real, que muitas vezes
traz uma realidade não imaginada, muito menos cogitada pelos novos papais. Seu
filho tem um distúrbio ou diagnostico não esperado, e agora?
Se
em uma gestação biológica, mesmo tendo todo acompanhamento pré-natal adequado,
isso é possível, quando optamos por uma adoção esta é uma possibilidade bastante plausível. E os
futuros papais por adoção precisam estar conscientes desta possibilidade, mesmo
que tenha optado por adoção de crianças saudáveis. Primeiro porque muitas
destas crianças não tiveram pré-natal em suas famílias de origem. Segundo
porque muitos não tiveram rotina médica nos primeiros meses ou anos de vida em
suas famílias de origem e terceiro porque, muitos abrigos não conseguem ter uma
avaliação e acompanhamento adequado na rede pública de saúde.
Muitos
papais nas primeiras dificuldades escolares e primeiras reuniões, com os
professores, vão se sentir frustrados pelo baixo ou inexistente rendimento
escolar. Obvio que a primeira reação é chorar ou questionar - o porquê comigo,
meu Deus? – em seguida vem à vontade de culpar: a mãe biológica que não se
cuidou, a família de origem que não acolheu; o juiz que “enganou”; o abrigo que
não avaliou. E os sonhos começam a trincar... As palavras de “conforto”, que em
nada ajudam, começam a vir dos familiares e amigos: Deus não dá nada que você
não pode carregar! - Essas crianças só vêm para pessoas especiais e escolhidas
por Deus! – Tudo serve apenas como um “laudo social” que a criança não atingirá
as metas que os papais traçaram para ele e que os papais devem se conformar.
Os
papais sentem angústia, aflição, frustração e medo de não dar conta ou
condicionar o amor às vitorias do filho, mas depois do luto vivenciado, vem uma
vontade imensa de mudar aquela historia. Passam então a uma jornada de exames, médicos,
especialistas, tratamentos, acompanhamentos e deixam a vida da criança dependente
de superar as dificuldades escolares, para que no futuro possa ter um DOUTOR à
frente do nome.
Muitos
papais, nesta fase, sofrem outro choque, mesmo com todos os tratamentos, remédios
e reforço escolar, a criança não rende como as demais! A realidade bate à
porta, cabe então aos papais buscarem tratamento, não mais para o filho, mas
para si! Abrir mão do idealizado, do sonhado, do desejado para se trabalhar com
o real, com as vitorias e conquistas possíveis. Isso não quer dizer que se deve
abandonar os tratamentos necessários da criança, mas deve abrir mão de agradar
a sociedade, de tentar colocar a criança na forma que a sociedade traz como aceitável
e aceitar a criança como ela é, uma criança real.
A
criança vai crescer e se ela não tiver um DOUTOR na frente do nome, mas for
feliz sendo quem ela quiser ser, que mal tem?
Ela pode ter o dom para a música... Dança... Teatro... Costura... Motorista... Esporte... Padeiro... São tantas as profissões possíveis que esta criança pode exercer no futuro, porque limitar a um diploma que não é sinal de felicidade e realização???
Porque sufocar a criança, para ela ser aceita, quando devemos sufocar a sociedade para aceitá-la?
Ela pode ter o dom para a música... Dança... Teatro... Costura... Motorista... Esporte... Padeiro... São tantas as profissões possíveis que esta criança pode exercer no futuro, porque limitar a um diploma que não é sinal de felicidade e realização???
Porque sufocar a criança, para ela ser aceita, quando devemos sufocar a sociedade para aceitá-la?
















