Quero falar com vocês sobre a história dos nossos filhos, ela não pertence a nós!
Vou
falar um pouquinho da história de uma pessoa da minha família, esta pessoa nasceu
em um tempo que não ter o nome do pai em certidão era um estigma imenso, bastardo
era o adjetivo mais tênue que recebia. Sua mãe, nunca falou o nome de seu pai biológico,
sendo criado pelo pai de criação, irmão mais velho, vó postiça... Sempre que questionava,
a mãe falava que o nome ela levaria para o tumulo e assim o fez. Esta pessoa,
nos momento de crises internas sempre se lastimava em não saber o nome de seu
pai e fazia as piores suposições possíveis!
Sua
mãe não respeitou o direito básico de informar a sua origem, sua historia e
está foi uma lacuna que nunca se preencheu. A pessoa ficou anos presos neste
passado, com a morte da sua mãe, esgotou qualquer possibilidade de saber a quem
pertencia. Não é que desejasse viver ao lado do pai, mas seu passado lhe
pertencia, e esta pessoa nunca pode recuperar esta parte da sua história, saber
de tinha mais irmãos, se tinha avôs paternos, tios, tias, primos e primas! A
história da sua família e a sua própria historia.
Quando
vamos adotar, normalmente recebemos a historia dos nossos filhos, e quase sempre a história não é linda, nem heroica,
nem cinematográfica, muito pelo contrário, são historias sofridas, difíceis e
que vem (de geração à geração) se repetindo, avôs, pais e filhos reescrevendo
os mesmos erros, sem conseguir quebrar o circulo vicioso que todos vivem.
Muitas
das famílias construídas pela adoção sentem um frio no estomago quando pensa no
passado de seus filhos. Se adotam bebê, se questionam se não seria melhor não
falar nada, se adotam crianças maiores ou adolescentes e estes o buscam para
falar sobre o passado, as novas famílias cortam a conversa, pois acredita que
se não falar, o passado será esquecido. Desta forma o passado se torna um estigma,
um fardo, um assunto proibido, e a lacuna não se preenche, não se resolve.
Quando
estas crianças crescem e vivem em um ambiente de aceitação, onde a sua vivência
é respeitada, independentemente se foi boa ou não, onde os adultos envolvidos
optam por tentar auxiliar a compreender as duvidas que surjam, onde se podem
falar, repetir, pensar, interagir, elas vão resolvendo as questões a cada
conversa, a cada palavra. Solucionando
aos poucos os medos, anseios, dúvidas, aflições. Desta forma tornam adultos conscientes
da trajetória de suas vidas, fortes e firmes, cientes de que são amados por
quem são realmente e não por quem representam ser.







