quarta-feira, 15 de março de 2017

Devolução de Crianças Adotadas Não Se Justifica!


Hoje eu li em um grupo de apoio um verdadeiro debate sobre devolução de crianças e adolescentes por suas famílias adotivas... Algumas pessoas com uma defesa fervorosa destes pais, alegando que eles têm os mesmos direitos à entrega para adoção que seus genitores!

Sim, fiquei assustada com esta linha de raciocino e pensei muito se devia, ou não, escrever sobre isso...

Primeiro, os genitores (pais biológicos) normalmente são pessoas que se levaram pelo vicio das drogas, pela violência. Muitos sequer possuem a opção de não engravidarem, tamanho o grau de alienação que vivem. Fora as vítimas de abuso, incesto, agressões e miséria extrema. Então, os filhos destas pessoas não são abrigados pq seus genitores optam por fornecer uma chance de vida melhor, na verdade, estes genitores vivem alheios de suas próprias condições, acreditando que aquela forma de vida e cuidado são normais.

Agora quem opta em adotar, faz isso de forma consciente, passa por várias entrevistas, e tem a oportunidade de pensar e rever seu desejo de maternidade/paternidade várias vezes durante todo o processo de habilitação e espera. Ainda há, depois deste tempo todo, o tempo de aproximação e estagio de convivência, ainda nesta etapa, dá para a pessoa simplesmente sair do mundo adotivo, sabe aquele ditado – “quando a água bate na bunda, ou você aprende a nadar, ou morre afogado" – ainda há nesta fase a realidade e a possibilidade de retroceder, sim a criança ou adolescente vai sentir a rejeição, mas em nada se compara a rejeição de viver ANOS em uma família e ser devolvido depois.

Mesmo depois de todas as dificuldades da habilitação e a angustia da espera, uma pessoa que opta por dar andamento à adoção, passando anos com uma criança e a devolve (com ou sem motivo), a MEU ver, é de uma apatia extrema! Ela não tira “somente” a chance de a criança conseguir uma família, tira a sua dignidade, sua autoestima, seu amor próprio, seu respeito, seu valor, a transforma e personaliza em um objeto que deu defeito, algo sem valor, que pode ser descartado a qualquer momento.


Quem deseja ter filhos têm que saber que NÃO há selo de garantia e, sendo biológicos ou adotivos, filhos respondem, filhos quebram as coisas, filhos sujam as roupas, filhos não gostam de estudar, filhos bagunçam, filhos mudam sua prioridade, filhos tiram privacidade, filhos dão gastos, filhos ficam doentes, filhos são sujeitos de direito e não bonecos para que adultos infantis brinquem de casinha até se cansarem e resolvam jogar no canto! 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Maternidade e/ou paternidade múltipla é vantajoso!


    Recentemente li a reportagem “7 Vantagens de Ter Mais de 3 Filhos”, e vim aqui falar de sobre a maternidade/paternidade múltipla e como é vantajoso. 

    Sim, é muito cansativo ter mais de 1 filho, 2 filhos é facilmente administrável, agora com 3 filhos passa a ser um desafio e um jogo de cintura enorme. Cuidar para que nenhum seja excluído, ou melhor, esquecido na correria do dia-a-dia é uma grande tarefa. Ser pais de 3, ou mais filhos, é ter hora para levantar, mas raramente saber quando e vai conseguir deitar. Mercado, lanche da escola, mochilas, conversas, lição de casa, alimentação, médicos, vacinas, exames, reuniões escolares... São tantas coisas para dar conta, que os dias passam e quando você percebe os meses já se passaram. Trabalhar fora e dar conta de uma rotina com mais de 1 filho é muito cansativo, mas tem seu lado gratificante...

    Quando eu tinha só do Sam, tudo era focado nele, tudo que queria ganhava, passeios e gastos toda hora. Com a chegada da Juju precisamos pisar um pouco no freio dos mimos excessivos! Ali ele já aprendeu a dividir o quarto, brinquedos e principalmente, a atenção exclusiva dos pais... 

    Ela já chegou tendo que dividir, então para ela foi algo natural. Se com a chegada dela o freio começou a ser puxado, a vinda da Paula brecou de vez tudo! Nova reestruturação financeira para dar conta de 3 filhos, mas o que vimos é que, se por um lado passamos a controlar os gastos, ensinando nossos filhos que não podiam ter tudo que desejavam, e que as coisas custam caro, por outro lado vimos que o amor não tem limites!  O cuidado, o carinho, as pequenas brigas por atenção, os dengos, os cutucões para provocar, tudo absolutamente, tudo ganhou fôlego, e que fôlego! 

    E que lição de vida, para nós e para eles! Eles aprendem a competir, a dividir, a cuidar, a amparar, a compreender, a respeitar, a amar, amar muito! Ver nossos filhos crescendo com todos estes valores é uma lição de vida que, só quem tem mais filhos pode ver no dia a dia. 

    Para você que deseja ter filhos, que tal pensar logo em 3 ou 4 pimpolhos pela casa???

domingo, 16 de outubro de 2016

Desabafo sobre Mundo Adotivo...



Estou no mundo na adoção deste maio de 2012. Estes anos foram de muita aprendizagem para mim e também de muitas decepção!

Quando, eu e meu marido, resolvemos dar entrada com o pedido de habilitação, tinha a ILUSÃO de que havia uma chuva de crianças para se adotar no Brasil dentro do nosso perfil desejado da época, que era menina entre 4 e 6 anos, etnia branca ou parda. Logo que ligamos para a VIJ da nossa comarca, para tomar ciência dos documentos e tempo de espera para o nosso perfil, levamos um balde á água gelada, media de espera para o perfil desejado, 4-5 anos. Quem me conhece, sabe que paciência não é meu forte, nem um pouco, por sinal!

Entrei nos grupos de apoio a adoção que tinha no ORKUT e lá aprendi MUITOOOO!!!!

Descobri os perfis das crianças disponíveis para a adoção... Quais eram as características padrões de suas famílias biológicas, quais eram os desafios de quem opta por adoção tardia (tardia de fato, acima de 6 anos), quais os passos da habilitação, destituição, guarda, adoção... Mergulhei em um aprendizado imenso! Descobri o significado dos termos jurídicos, troquei sonhos com os demais, mas principalmente, cresci como pessoa. Descobri que queria ser mãe! Que o filho idealizado, não era o filho real abrigado. Descobri que o papel de mãe que idealizei que eu seria, iria ser trocado, rapidamente, pelo perfil de mãe que meu filho ou filha necessitaria.

Sim, soube de comarcas e juízes relapsos, que simplesmente esqueciam crianças em abrigos, soube de crianças abrigadas destes bebês. Soube de defensores públicos biologistas ao extremo, soube de retorno de crianças a suas famílias biológicas que terminaram em tragédias ou em traumas maiores... Mas soube também que a grande maioria tenta fazer o certo! Soube de grupos de irmãos abrigados tardiamente, que não tinham adotantes porque eram velhos demais... Soube de crianças sem adotantes, pq o histórico familiar era complicado, de crianças abusadas (física ou emocionalmente) que tinham o seu direito de ter família esquecidos, porque simplesmente o passado as condenava, um passado que elas não tinham qualquer culpa, mas elas é que foram condenadas a viverem em abrigos.  

Cresci, amadureci, mudei o perfil e me tornei mãe dos filhos que Deus e a justiça me confiariam antes mesmo deles chegarem, até mesmo de terem sexo, idade, etnia ou nomes conhecidos. E assim como eu, tive o privilegio de ver muitas outras famílias ampliando, grupos de irmãos, HIV, idade, sexo indiferente, doenças graves ou moderadas, deficiências...

Infelizmente, nos últimos meses tenho visto um retrocesso de perfil... A cada pergunta que leio nos grupos de apoio, meu coração murcha, porque vejo o distanciamento gritante da realidade das crianças e jovens abrigadas.

  • Habilitados querendo “filhos” bilíngues, onde a maioria das crianças abrigadas tem defasagem escolar.
  • Habilitados querendo fazer “teste drive” antes de aceitar adotar, usando o projeto de apadrinhamento afetivo com má intenção.
  • Habilitados querendo “filhos” como muletas para cuidar dele na velhice, como se adoção fosse moeda de troca.
  • Habilitados querendo bebês e reclamando da espera, que certamente será longa em quase todas as comarcas brasileiras, afinal VIJ não é fabrica de bebês!
  • Habilitados para bebês saudáveis, CONDENANDO e CRITICANDO quando os adotantes de adoção tardia, grupos de irmãos, crianças especiais expõem sua alegria em sua maternidade/paternidade. Mostrando que o filho não precisa ser “perfeito” para torna-los felizes e pedindo uma reflexão dos demais, para que eles também pensem se não dá para abrir um pouco mais o perfil.
  • Habilitados de adoção tardia e/ou grupos de irmãos, querendo praticamente um book e currículo das crianças abrigadas, porque entendem que já que aceitam um perfil mais amplo, elas têm o direito de escolher a dedo a criança que aceitará em sua casa.
  • Pais adotivos, descrevendo as crianças e jovens que aceitaram como “filhos”, como ingratos e problemáticos, com má índole, simplesmente porque acreditam que os filhos devem ser AGRADECIDOS pela grande caridade de ter sidos adotados, desconhecendo por completo as fases de adaptação.


Tenho a sensação de que as pessoas se habilitam e esquecem que se preparar para uma maternidade ou paternidade, seja adotiva ou biológica, é uma preparação constante, que leva meses e mesmo assim, depois, terá momento que ficará totalmente perdido, mas terá, dentro de si, a certeza que deseja ser mãe ou pai para sempre, custa o que custar.

Esquecem que na ADOÇÃO a PRIORIDADE é encontrar FAMÍLIAS para as crianças e jovens REAIS abrigados, e não crianças irreais para os adultos insurgentes!

domingo, 9 de outubro de 2016

Hoje é Dia de Festa

Tudo bem, não faz tanto tempo assim, mas alguns detalhes se perdem com o tempo... Forço um pouco a memória e lembro que passamos na VIJ, conversamos com a equipe técnica e pegamos a autorização para conhecer e começar a aproximação com a nossa pequena. Com o coração na boca falamos que iríamos naquela mesma tarde ao abrigo, afinal nossos corações estavam os pulos pela imensa curiosidade de saber como era a nossa filha e de vontade de pega-la no colo...

Nossa amiga e cegonha Ana Paula nos leva até ao abrigo, se despede nos desejando sorte com um sorriso enorme no rosto... Uma nova Cegonha entrava nas nossas vidas para nunca mais sair... Respiramos fundo e apertamos a campainha do abrigo, logo vem uma jovem abrir, nos leva na recepção pedindo para sentarmos, vem à psicóloga e ali começa uma conversa, fico naquele momento imaginando quantas conversas como aquela elas já tinham invocado e presenciado, quantas historias aquele sofá foi testemunha e quantas ainda aconteceriam naquele local.

Depois das conversas, eis que a enfermeira entra com um toquinho de gente no colo – minha mente bateu asas naquele momento, indo ao passado, exatos 1 ano e meio antes, quando conhecemos o nosso primeiro filho, um meninão de 8 anos, mas que usava roupas tamanho 6, que naquele momento pouco lembrava o garoto enorme que ele tinha se tornado – minha mente volta ao presente se questionando – por que será que crianças abrigadas são tão miúdas?



Naquele momento tomei consciência que eu era uma decepção naquele abrigo, principalmente se a equipe esperava uma mãe calorosa! Estarrecida, assustada, abismada, congelada eram palavras que me descreviam perfeitamente naquele momento!

        Eu comecei a caminhar na maternidade de trás para frente, meu primeiro filho chegou “criado”. Comia, tomava banho, se arrumava sozinho e agora estava vindo um bebê, era tudo novo, uma nova realidade, na pratica, me tornei mãe de primeira viagem!

Quando a gente esta na fase da espera e recebe o famoso telefonema, a nossa imaginação nos pega uma peça... 1 ano e 3 meses, esta era a informação que eu tinha, passei a imaginar o tamanho... Procuramos outras crianças da mesma idade e fomos “montando” a nossa filha, quando eu a vi entrando, tão miudinha, com aquele olhar enorme, desconfiado, simplesmente travei e pensei - Vou dar conta? - Meu marido, na hora viu meu desespero, tomou à dianteira e a acolheu em seu colo. Naquele dia éramos duas nos questionando, parecia que dava para ver a incerteza no olhar da Juju - Esta vai ser a minha mãe? Sei Não! Não me parece que ela sabe o que tá fazendo! 



Hoje vejo que a equipe do abrigo sentiu meu pavor, pois me pediram para dar comida, brincar, dar banho, acho que era para "quebrar o gelo", como dizem! Eu fiz o que me pediram, mas era visível a desconfiança da pequena em minha capacidade. rssss



Agora os meses passaram, hoje ela completa 3 anos... Faz quase 2 anos que ela chegou e agora nada me assusta... Ops! Quase nada! Somente a inteligência da pequena, que é capaz de dar nó em pingo d’água!


Parabéns Juju! Parabéns Filha!!! 
Feliz 3 aninhos!!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Amor entre Irmãos - Vinculo Eterno



Ontem li, nos grupos virtuais de apoio à adoção, o lindo depoimento da Shirley Machado sobre a passagem do seu querido pai e de como foi importante o apoio e presença de seus irmãos ao seu lado. Ao mesmo tempo, ela fala da alegria em saber que seu filho terá este mesmo apoio dos irmãos, quando ela não mais estiver presente.

Um grupo de irmãos, separados... mas que possuem forte vínculo afetivo entre eles, que se amam, que se cuidam, que se veem! 

Deixo aqui meu apelo a quem aceita fazer adoção conjunta (grupos de irmãos separados, mas com o compromisso de manterem o vínculo e de se verem constantemente), não faça este tipo de adoção apenas da boca para fora.

Muitas são as queixas das famílias, no pós-adoção, de que a(s) família(s) que adotaram os menores simplesmente somem ou não aceitam mais manter o contato depois que a nova certidão sai.

Vocês não estão enganando o judiciário, não estão furtando os laços de irmãos da equipe técnica. Estão enganando e furtando a vida do(s) filho(s) de vocês. Um dia, eles vão saber que possuem irmãos e quando for atrás, pode saber pela outra família que eles queriam contato, mas foi você que impediu... que foi você que se afastou... que foi você que lhe tirou os irmãos... e você pode não gostar de ser cobrado disto.


Lembre-se: você não tem o direito de separar o que a vida e Deus uniu!