Quando começamos a trilhar o cominho da adoção, que é uma estrada sinuosa, cheia de obstáculos, nos deparamos com termos que por diversas vezes parece que nos classifica com uma família de 2ª categoria.
Consigo compreender, perfeitamente, que o judiciário nos classifique como Famílias Substitutas, afinal, este é o termo que nos destaca em relação à Família de Origem ou Família Biológica. São apenas termos, para que possam, de forma clara, nos classificar aos diversos papeis que fazem parte dos processos de abrigamento, destituição e adoção.
O que NÃO consigo entender é quando os Pais/Mães se lançam nesta segunda categoria... Muitos, ainda imaturos nas suas escolhas, usam termos que segregam – “Sou Mãe de 2 e Mãe adotiva de 1!”, “Tenho 3 filhos e mais 1 adotivo!” – Como se suas obrigações para com o filho que veio pela via da adoção, fosse primária, sem grandes obrigações. Quando na verdade são PAIS, MÃES e FILHOS! A via da construção da família, pouco importa!
Sei que muitas pessoas, que optam pela adoção, não passaram e superaram o luto de não poder gerar uma vida, e esta é uma questão mal resolvida e não se conseguem ver como Pais/Mães de verdade... Há também muitas pessoas que esperam ser reconhecidos pelo grande ato heroico de ter adotado, de ter resgatado uma vida, dando a ela a oportunidade de ter um futuro. Para estas pessoas – que optaram pela adoção pelo motivo errado – recomendo que procure ajuda psicológica, pois jamais se deve adotar para conseguir status de grande e bom samaritano na sociedade ou preencher um vazio, que ainda não foi resolvido.
Para os demais, famílias constituídas pela adoção, que não sabem como se classificar, já passamos por tantos preconceitos perante a sociedade, que nos julga, condena e que lançam nossos filhos a categoria de “marginal em potencial”, vamos fazer um auto reconhecimento, como família! Pura e simplesmente, FAMÍLIA!
Sei que às vezes se faz necessário esclarecer em que via a nossa família foi constituída, mas então vamos usar o termo (quando estritamente necessário) – “Ele é MEU filho POR adoção.”, “SOU Pai/Mãe por adoção!” – Só vamos mudar a forma como a sociedade nos vê, quando esta mudança ocorrer, primeiramente, dento de nós e de nossos lares!

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