quinta-feira, 3 de março de 2016

Escolas, precisamos falar sobre elas!



Agora puxando o tema escola e casando com o tema adoção... Muitas das escolas que recebem nossos filhos não estão aptas a lidarem com eles, sejam porque eles são filhos por adoção (que gera grande preconceito), seja porque eles possuem, em sua maioria, algum grau de dificuldade de aprendizagem.

Devemos ser pais atentos, não somente sobre a forma que nossos filhos são acolhidos na escola, como a forma que eles são tratados em sala, no desenvolvimento. Hoje as escolas se dizem inclusivas, mas na verdade, o padrão em nada mudou. As escolas não estão preparadas para lidarem com uma criança portadora de TDAH, muito menos com os nossos filhos, que possuem um passado nada agradável e distúrbios bem mais complicados. Eles colocam nossos filhos em uma turma com mais de 30 alunos, muitas vezes sem professor auxiliar, e querer que se desenvolvam!

Óbvio que de imediato a criança se sente perdida com esta nova realidade, e os professores e coordenadores começam a convocar os pais, quase constantemente, para falar sobre os problemas escolares. Não dão soluções, mas cobram medidas dos pais – avaliações com psicopedagoga, psiquiatra, exames, psicóloga, fonoaudióloga, e por fim, falam para os pais levarem seu filho ao neuropediatra e pedir medicação - a criança não se concentra, não rende, não para quieta, conversa demais e a lista de reclamações não para. A culpa não é da escola, que não busca uma forma de atrair a atenção e interesse daquele aluno “especial”. Então a utopia da inclusão escolar vai ralo abaixo.

Muitos são os relatos que chegam até os grupos de apoio à adoção de professores, coordenadores que não sabem como agir com uma criança vinda da adoção. Taxando os comportamentos normais em qualquer criança em vida escolar (birra, falta de interesse, falta de estimulo, falta de organização, brigas, traquinagens) como problemas diretamente relacionados com a adoção. Muitas destas crianças são taxadas de delinquentes, marginais em potencial de forma direta ou indiretamente e de nada adianta tentar conversar com estes professores, pois o preconceito esta enraizado. Solução? Mudar a criança de escola, causando mais um quebra de vinculo e instabilidade, mas estes sendo um mal menor, perto de ficar em um local onde a criança não é aceita.

As escolas tem uma forma e cabe ao aluno entrar dentro e se moldar, de forma natural ou forçada, não importa. Se aquele aluno tem dons artísticos, moda, canto, malabarismo, aprende musica com facilidade, excelente cozinheiro... nada disso importa, pois isso não cabe no molde escolar.

Inclusão pra que? Para quem?

Certamente não é para os nossos filhos, muito menos com a história e vivência de vidas que eles carregam em suas mochilas emocionais.

8 comentários:

  1. Em uma das escolas onde leciono, havia um aluno que faltava constantemente, pois queria pressionar a mãe a mudá -lo de escola,pois uma amiga estava lá. Ele é bonzinho, mas pratica automutilação ( como muitos adolescentes), se acha feio( o que é mentira, pois é muito bonitinho).Pois uma professora falou: ele é adotivo, né? Eu respondi: isso não tem nada a ver com adoção!!E não foi só essa mulher que eu ouvi falar isso, não, também já ouvi uma outra professora comentar assim: "gente, esses dias descobri que o fulano é adotivo, ele é tão inteligente, nunca imaginei que fosse adotado!" Eu respondi: "inteligência não tem nada a ver com ser filho adotivo ou biológico!" Realmente, nas escolas é preciso falar sobre o assunto sem tabus, pois se dizem inclusivas, mas muitas ainda têm preconceito contra adoção! Apesar que na escolinha das minhas filhas não há preconceitos, elas são muito bem tratadas.

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    1. Infelizmente a gente sempre esta sujeito a escutar - Mas também é adotado! - Para qualquer sinal de problema ou dificuldade.

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  2. Essa semana veio uma tarefa da apostila do meu filho de 8 anos, no terceiro ano do fundamental: Descrever como era quando nasceu, se parecia com quem, quem visitou na maternidade ou coisa assim. Pedi para ele deixar em branco e passei uma outra atividade para ele fazer em casa. Achei que seria pior inventar coisas porque estaria agindo como se escondesse alguma cisa, situação complicada

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    1. Patricia, vc deve procurar a equipe pedagógica da escola do seu filho e pedir para eles adaptarem este tipo de conteúdo para o seu filho. Exemplo: Poderiam ter colado na frente desta lição a seguinte atividade - Descreve como foi a sua chegada na sua família, como vc se sentiu? Quais foram seus medos? O que mais gostou?
      Simples assim, evita problemas futuros ao seu filho.

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