Há uns dias,
minha cegonha e a amiga Rosana Silva me pediu para escrever um texto falando do
preconceito que passamos na adoção, principalmente na tardia. Não sou psicóloga,
nem assistente social, sou apenas uma mãe que teve que aprender a lidar com
este tema no dia-a-dia! Nem sempre é fácil falarmos sobre isso, porque é algo
que nos machuca e expõe, mas vendo muitos relatos de pessoas que dizem que
sofrem este tipo de preconceito na escola, no trabalho e, pior, de membros de
sua família ou da (do) cônjuge, me fez ceder a este pedido.
Sim, o
preconceito existe, e em algum momento vai te atingir ou pior, vai atingir teus
filhos. Então fazer disso um tabu não irá ajudar em nada! Devemos falar SEMPRE
com os nossos filhos sobre adoção, amor, união, isso dará um poder imenso a
eles quando forem alvos de bullying na escola ou segregação familiar.
Você passará
por diversas situações, desde a de um segurança com olhar especulativo
te seguindo pq você esta contendo uma birra de sua filha de 2 anos, achando que
você a está roubando; ou uma senhora sem noção, que questiona na frente de todos
como pode você ter um filha negra sendo branca ou ainda, quando você está na fila
do mercado negociando com o filho que ele pode escolher somente um doce e uma senhora na sua frente fala que se ele fizer birra é para falar que ele é adotado. Sim,
são situações comuns e que a maioria das famílias já tiram de letra, mas as que
marcam e ferem na alma são as que sofremos na escola e na família.
Na escola, porque
não podemos estar lá para ser o escudo... festas de aniversários onde não são
convidados, professoras que os tratam como delinquentes, que expõem a condição
da adoção em frente aos demais colegas, não respeitando o direito da criança em
decidir se deseja ou não compartilhar esta informação com os demais, segregação de
professores preconceituosos, exposição a situações vexatórias na frente dos colegas. Estes são apenas alguns dos problemas comuns que
ocorrem no âmbito escolar. Isto podemos resolver tendo uma conversa direta e,
muitas vezes, mudando nossos filhos de escola 1, 2, 3, 4 vezes, até acharmos uma
que os tratem como alunos e não como saco de pancadas de adultos mal resolvidos.
Na família as
questões são mais delicadas, famílias que ainda estão se vinculando já tendo
que passar por situações tristes de preconceito, segregação, ou tendo de ouvir piadinhas
de mau gosto sobre os filhos e tendo que engolir, pelo bem e pela união
familiar. Avós que não aceitam os netos “ilegítimos”, que dão presentes para
todos, menos para os netos “postiços”; tias e tios que levam todos os sobrinhos
para o parque ou shopping, menos os que chegaram pela via da adoção; familiares
que taxam as crianças de problemáticas, mesmo que as demais crianças da família
possuam os mesmos comportamentos e travessuras; a lista de preconceito e
segregação neste meio é imensa, ler, ouvir, compartilhar destas dores no grupo
de pós-adoção é de doer à alma!
Não há uma
receita de bolo para fazer tudo dar certo e as coisas se encaixarem, mas é
vital que as famílias constituídas pela adoção saibam que devemos nos
resguardar. O PRÉ-CONCEITO sobre este tema é imenso, mesmo entre pessoas jovens
e não tem como mudar este pensamento enraizado por anos, assim como muitos tentaram
nos desestimular sobre a adoção antes dela ocorrer, e não conseguiram, também não
vamos, do dia para a noite, fazer que eles mudem os conceitos passados de
geração à geração. Elas só mudarão se estiverem preparadas e abertas para isso,
então, expor as dificuldades do dia-a-dia só vai confirmar a elas que filhos
por adoção são problema na certa.
Então há certas
coisas que ocorrem no período de adaptação que NÃO devemos compartilhar com as famílias
e amigos - surtos, agressões, história pregressa, história dos genitores - isso
pertence aos membros que dividem o mesmo teto, não aos demais. Falar para seus
pais (avós das crianças) que certas coisas estão ocorrendo, vão deixá-los muito
tristes, pois aos saber que seus filhos estão sendo agredidos e ofendidos pelos
netos ou que a maternidade/paternidade não esta ainda ocorrendo da forma sonhada
e desejada faz nascer uma antipatia imediata pela criança, eles não entendem
que isso é uma fase de adaptação, eles não fizeram o curso de adoção. Outra
coisa, devemos compreender e aceitar, sim, aceitar, que as pessoas de mais
idade, ainda tem o conceito que uma criança que veio pela via da adoção, tem
que ser grata e obediente aos que a acolheram, que há diferença entre filiação biológica
e adotiva.
Evitem entrar
no arranca-rabo da comparação, ainda há muito disso dentro das famílias. Expor
de forma clara e firme que isso é injusto para o seu filho é vital! Uma criança
que foi desejada, amada, deste a sua fecundação e que teve todos os estímulos necessários
para seu desenvolvimento intelectual, social e afetivo, não pode ser comparado
com uma criança que vivenciou o completo oposto.
Se soubermos
respeitar o tempo dos membros da família extensa, sendo firmes e deixando os
limites claros, respeitando o que ocorre dentro de casa sem expor para os
demais membros, com o tempo a vinculação irá ocorrer, ou pelo menos, aprenderão
a conviver de forma harmônica.

Infelizmente temos que enfrentar muitas das situações que você descreveu. Parabéns pela clareza de expressão e a única coisa que nos motiva nessas situações é o amor que temos pelos nossos filhos.
ResponderExcluirBoa noite , lindo esse texto, pois já vivi situação citada no texto, já teve pessoas que ne falaram que eu vou adotar vou arrumar problema pra mim, e mais que eu não presciso de filho pois tenho meu sobrinhos e estava muito bom, eu repondi amo meus sobrinhos mais não são meu filhos e mais problemas tanto adotivo como biológico se tiver que dar vai dar, e outra que sabia era eu se presciso ou não de um filho, mais eu sentim um pouco de inveja pois ela quiz disse que tenho tudo não presciso de mais nada, muito triste isso, se depara com pessoas tão preconseituosa com adoção, mais estou me preparando para quando meu filho chegar!!!
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