sábado, 22 de julho de 2017

Lidando Com o Preconceito na Adoção




Há uns dias, minha cegonha e a amiga Rosana Silva me pediu para escrever um texto falando do preconceito que passamos na adoção, principalmente na tardia. Não sou psicóloga, nem assistente social, sou apenas uma mãe que teve que aprender a lidar com este tema no dia-a-dia! Nem sempre é fácil falarmos sobre isso, porque é algo que nos machuca e expõe, mas vendo muitos relatos de pessoas que dizem que sofrem este tipo de preconceito na escola, no trabalho e, pior, de membros de sua família ou da (do) cônjuge, me fez ceder a este pedido.
Sim, o preconceito existe, e em algum momento vai te atingir ou pior, vai atingir teus filhos. Então fazer disso um tabu não irá ajudar em nada! Devemos falar SEMPRE com os nossos filhos sobre adoção, amor, união, isso dará um poder imenso a eles quando forem alvos de bullying na escola ou segregação familiar.
Você passará por diversas situações, desde a de um segurança com olhar especulativo te seguindo pq você esta contendo uma birra de sua filha de 2 anos, achando que você a está roubando; ou uma senhora sem noção, que questiona na frente de todos como pode você ter um filha negra sendo branca ou ainda, quando você está na fila do mercado negociando com o filho que ele pode escolher somente um doce e uma senhora na sua frente fala que se ele fizer birra é para falar que ele é adotado. Sim, são situações comuns e que a maioria das famílias já tiram de letra, mas as que marcam e ferem na alma são as que sofremos na escola e na família.
Na escola, porque não podemos estar lá para ser o escudo... festas de aniversários onde não são convidados, professoras que os tratam como delinquentes, que expõem a condição da adoção em frente aos demais colegas, não respeitando o direito da criança em decidir se deseja ou não compartilhar esta informação com os demais, segregação de professores preconceituosos, exposição a situações vexatórias na frente dos colegas. Estes são apenas alguns dos problemas comuns que ocorrem no âmbito escolar. Isto podemos resolver tendo uma conversa direta e, muitas vezes, mudando nossos filhos de escola 1, 2, 3, 4 vezes, até acharmos uma que os tratem como alunos e não como saco de pancadas de adultos mal resolvidos.
Na família as questões são mais delicadas, famílias que ainda estão se vinculando já tendo que passar por situações tristes de preconceito, segregação, ou tendo de ouvir piadinhas de mau gosto sobre os filhos e tendo que engolir, pelo bem e pela união familiar. Avós que não aceitam os netos “ilegítimos”, que dão presentes para todos, menos para os netos “postiços”; tias e tios que levam todos os sobrinhos para o parque ou shopping, menos os que chegaram pela via da adoção; familiares que taxam as crianças de problemáticas, mesmo que as demais crianças da família possuam os mesmos comportamentos e travessuras; a lista de preconceito e segregação neste meio é imensa, ler, ouvir, compartilhar destas dores no grupo de pós-adoção é de doer à alma!
Não há uma receita de bolo para fazer tudo dar certo e as coisas se encaixarem, mas é vital que as famílias constituídas pela adoção saibam que devemos nos resguardar. O PRÉ-CONCEITO sobre este tema é imenso, mesmo entre pessoas jovens e não tem como mudar este pensamento enraizado por anos, assim como muitos tentaram nos desestimular sobre a adoção antes dela ocorrer, e não conseguiram, também não vamos, do dia para a noite, fazer que eles mudem os conceitos passados de geração à geração. Elas só mudarão se estiverem preparadas e abertas para isso, então, expor as dificuldades do dia-a-dia só vai confirmar a elas que filhos por adoção são problema na certa.
Então há certas coisas que ocorrem no período de adaptação que NÃO devemos compartilhar com as famílias e amigos - surtos, agressões, história pregressa, história dos genitores - isso pertence aos membros que dividem o mesmo teto, não aos demais. Falar para seus pais (avós das crianças) que certas coisas estão ocorrendo, vão deixá-los muito tristes, pois aos saber que seus filhos estão sendo agredidos e ofendidos pelos netos ou que a maternidade/paternidade não esta ainda ocorrendo da forma sonhada e desejada faz nascer uma antipatia imediata pela criança, eles não entendem que isso é uma fase de adaptação, eles não fizeram o curso de adoção. Outra coisa, devemos compreender e aceitar, sim, aceitar, que as pessoas de mais idade, ainda tem o conceito que uma criança que veio pela via da adoção, tem que ser grata e obediente aos que a acolheram, que há diferença entre filiação biológica e adotiva.
Evitem entrar no arranca-rabo da comparação, ainda há muito disso dentro das famílias. Expor de forma clara e firme que isso é injusto para o seu filho é vital! Uma criança que foi desejada, amada, deste a sua fecundação e que teve todos os estímulos necessários para seu desenvolvimento intelectual, social e afetivo, não pode ser comparado com uma criança que vivenciou o completo oposto.
Se soubermos respeitar o tempo dos membros da família extensa, sendo firmes e deixando os limites claros, respeitando o que ocorre dentro de casa sem expor para os demais membros, com o tempo a vinculação irá ocorrer, ou pelo menos, aprenderão a conviver de forma harmônica. 

domingo, 9 de julho de 2017

DIFICULDADES DA ADAPTAÇÃO.




Queria devolver minha mãe, ela não se esforça em fazer o que quero!
Meus pais não me entendem, não se esforçam, acho que eles tem algum problema, devem ter me enganado para que eu os adotassem!
Faz 30 dias que estou com meus pais, mas sinto que eles não me aceitam como filha, já fiz tudo que podia, acho que não esta dando certo!
Minha mãe não sabe se comportar em público, sempre me deixa constrangida!
Por mais que eu ensine meu pai, ele faz ao contrário!
Sabe, eu queria pais mais novos, mas como não tinha, ampliei o meu perfil e aceitei estes que estavam disponíveis, mas não me sinto completa e realizada!
O passado dos meus pais me assusta, as vezes acho que eles não tem mais jeito!!!
Sonhei tanto em ter uma família, mas nunca achei que iria me sentir tão exausta depois da chegada dos meus pais, eles sugam a minha energia, me chamam o tempo todo, sinto falta de ter um tempo só para mim!

JÁ PENSOU QUE SE QUEM EXPUSESSE AS DIFICULDADES DA ADAPTAÇÃO DA ADOÇÃO FOSSEM AS CRIANÇAS???

VOCÊ ATENDE AS EXPECTATIVAS DO SEU FILHO, O IDEALIZADO POR ELE?

SUA IDADE?
SUA ETNIA?
SUA FORMAÇÃO?
SEU CABELO?
SUA CULTURA?
SEU GOSTO MUSICAL E LITERÁRIO?
SUA RELIGIÃO?

PENSE!

PARE DE ESPERAR QUE EM POUCOS DIAS SEU FILHO - POR ADOÇÃO - JÁ TENHA VINCULAÇÃO AFETIVA, SEJA UM LORD DE COMPORTAMENTO E UM SUPER DOTADO NA ESCOLA!


FAMÍLIA SE CONSTRÓI COM O TEMPO, DEDICAÇÃO, RESPEITO E AMOR!!!

domingo, 16 de abril de 2017

O "Glamour" da maternidade.

No mundo adotivo o que mais de lê é a angustia da espera do filho almejado pelas futuras mamães e de forma mais recente, várias mamães se expressando de como os filhos - tão desejados - dão trabalho, são agitados, respondões, e por aí vão as lamentações! Sempre que leio este tipo de postagens me pergunto se estas pessoas conviveram com crianças antes da chegada dos filhos! Vamos então falar de alguns obstáculos que encontramos com o lado nada glamoroso da maternidade!

Ir ao mercado com uma criança pequena chega a ser quase uma Missão Impossível, seja pq eles pedem muitas coisas ou pq se você esta na correria do dia-a-dia, então tem que arrastar o pequeno junto, que quer olhar cada embalagem colorida dos pacotes de bolachas, doces e brinquedos. Se for dois ou mais então, é bem provável que ali possa começar uma pequena guerra e disputa pela atenção e doces, afinal, eles estarão em maioria. Ao chegar em casa e descarregar o carro, compras e filhos se torna uma nova Missão Impossível II, filhos querendo abrir os pacotes de doces, ao mesmo tempo que você tem que carrega-los para a casa, junto com as sacolas e controlar tudo, um verdadeiro teste de paciência!

Então chega a hora de fazer a refeição, cozinhar com as crianças em volta deveria ser teste do MasterChef, pq você tem que cozinhar, separar brigas, dar atenção ao bebê que insiste em puxar suas calças, não se machucar, tirar dúvidas da lição de casa e ainda fazer algo comível, então quem consegue fazer isso sem puxar um congelado do freezer é um verdadeiro mestre cuca da cozinha. Aí você se senta à mesa e começa o novo teste de paciência, fazer os pimpolhos comerem!!! Saladas e legumes se tornam o terror, pq mesmo que eles comam sempre, se um inventar que naquele dia não quer, os demais vão fazer o mesmo! Se um cuspir, os demais vão fazer o mesmo! Se um falar que está sem fome, os demais vão fazer o mesmo! Você terminará a refeição dolorida, tamanha a tensão, reparará que se comeu, certamente não conseguiu sentir o sabor dos alimentos e se não comeu será como a minha sogra fala: “Depois que meus filhos pari, nunca mais minha barriga enchi!”

Lavar roupa uma vez na semana, como era quando você não tinha filhos, será uma lenda distante, você lavará roupas o tempo todo, nunca mais o cesto de roupas ficará vazio, assim como a louça sobre a pia da cozinha! Você não entenderá o que acontece, pois você tem certeza que terminou de limpar e lavar tudo, mas em um passe de mágica, tudo se acumulará novamente!

Sua casa nunca mais irá parar arrumada, por mais que você tenha uma sala de brinquedos, os filhotes vão marcar território da casa toda, incluindo o seu quarto e closet, fora que depois da maternidade, você não terá mais tempo para banhos de mais de 3 minutos e será sempre a última a toma-lo... Salão de beleza, manicure, massagem, serão como presentes de Natal!

Uma coisa comum nas mamães de 3 ou mais filhos são os cabelos curtos, a falta de tempo para dar conta de tudo - casa, mercado, trabalho, comida, roupas, louças - fazem com que elas adotem um visual mais clean e prático, incluindo tênis, rasteiras, jeans, camisetas e muitos elásticos de cabelo!

As vezes você se sentirá a personagem principal do filme Minha Mãe é Peça, principalmente se te convidarem para um evento em local aberto! Você sairá  tempo todo correndo e berrando, sim o berro será uma forma bastante comum de comunicação com os pimpolhos que você tem em casa!

E onde foi parar o Glamour da maternidade? Ficou nas propagandas de margarina e nas novelas da TV! rsss

quarta-feira, 15 de março de 2017

Devolução de Crianças Adotadas Não Se Justifica!


Hoje eu li em um grupo de apoio um verdadeiro debate sobre devolução de crianças e adolescentes por suas famílias adotivas... Algumas pessoas com uma defesa fervorosa destes pais, alegando que eles têm os mesmos direitos à entrega para adoção que seus genitores!

Sim, fiquei assustada com esta linha de raciocino e pensei muito se devia, ou não, escrever sobre isso...

Primeiro, os genitores (pais biológicos) normalmente são pessoas que se levaram pelo vicio das drogas, pela violência. Muitos sequer possuem a opção de não engravidarem, tamanho o grau de alienação que vivem. Fora as vítimas de abuso, incesto, agressões e miséria extrema. Então, os filhos destas pessoas não são abrigados pq seus genitores optam por fornecer uma chance de vida melhor, na verdade, estes genitores vivem alheios de suas próprias condições, acreditando que aquela forma de vida e cuidado são normais.

Agora quem opta em adotar, faz isso de forma consciente, passa por várias entrevistas, e tem a oportunidade de pensar e rever seu desejo de maternidade/paternidade várias vezes durante todo o processo de habilitação e espera. Ainda há, depois deste tempo todo, o tempo de aproximação e estagio de convivência, ainda nesta etapa, dá para a pessoa simplesmente sair do mundo adotivo, sabe aquele ditado – “quando a água bate na bunda, ou você aprende a nadar, ou morre afogado" – ainda há nesta fase a realidade e a possibilidade de retroceder, sim a criança ou adolescente vai sentir a rejeição, mas em nada se compara a rejeição de viver ANOS em uma família e ser devolvido depois.

Mesmo depois de todas as dificuldades da habilitação e a angustia da espera, uma pessoa que opta por dar andamento à adoção, passando anos com uma criança e a devolve (com ou sem motivo), a MEU ver, é de uma apatia extrema! Ela não tira “somente” a chance de a criança conseguir uma família, tira a sua dignidade, sua autoestima, seu amor próprio, seu respeito, seu valor, a transforma e personaliza em um objeto que deu defeito, algo sem valor, que pode ser descartado a qualquer momento.


Quem deseja ter filhos têm que saber que NÃO há selo de garantia e, sendo biológicos ou adotivos, filhos respondem, filhos quebram as coisas, filhos sujam as roupas, filhos não gostam de estudar, filhos bagunçam, filhos mudam sua prioridade, filhos tiram privacidade, filhos dão gastos, filhos ficam doentes, filhos são sujeitos de direito e não bonecos para que adultos infantis brinquem de casinha até se cansarem e resolvam jogar no canto! 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Maternidade e/ou paternidade múltipla é vantajoso!


    Recentemente li a reportagem “7 Vantagens de Ter Mais de 3 Filhos”, e vim aqui falar de sobre a maternidade/paternidade múltipla e como é vantajoso. 

    Sim, é muito cansativo ter mais de 1 filho, 2 filhos é facilmente administrável, agora com 3 filhos passa a ser um desafio e um jogo de cintura enorme. Cuidar para que nenhum seja excluído, ou melhor, esquecido na correria do dia-a-dia é uma grande tarefa. Ser pais de 3, ou mais filhos, é ter hora para levantar, mas raramente saber quando e vai conseguir deitar. Mercado, lanche da escola, mochilas, conversas, lição de casa, alimentação, médicos, vacinas, exames, reuniões escolares... São tantas coisas para dar conta, que os dias passam e quando você percebe os meses já se passaram. Trabalhar fora e dar conta de uma rotina com mais de 1 filho é muito cansativo, mas tem seu lado gratificante...

    Quando eu tinha só do Sam, tudo era focado nele, tudo que queria ganhava, passeios e gastos toda hora. Com a chegada da Juju precisamos pisar um pouco no freio dos mimos excessivos! Ali ele já aprendeu a dividir o quarto, brinquedos e principalmente, a atenção exclusiva dos pais... 

    Ela já chegou tendo que dividir, então para ela foi algo natural. Se com a chegada dela o freio começou a ser puxado, a vinda da Paula brecou de vez tudo! Nova reestruturação financeira para dar conta de 3 filhos, mas o que vimos é que, se por um lado passamos a controlar os gastos, ensinando nossos filhos que não podiam ter tudo que desejavam, e que as coisas custam caro, por outro lado vimos que o amor não tem limites!  O cuidado, o carinho, as pequenas brigas por atenção, os dengos, os cutucões para provocar, tudo absolutamente, tudo ganhou fôlego, e que fôlego! 

    E que lição de vida, para nós e para eles! Eles aprendem a competir, a dividir, a cuidar, a amparar, a compreender, a respeitar, a amar, amar muito! Ver nossos filhos crescendo com todos estes valores é uma lição de vida que, só quem tem mais filhos pode ver no dia a dia. 

    Para você que deseja ter filhos, que tal pensar logo em 3 ou 4 pimpolhos pela casa???