sábado, 17 de fevereiro de 2018

Fica a Reflexão - Quero ter um bebê ou quero ser mãe?



    Esta semana fui chamada de ignorante, que tenho cascos, sem empatia, agressiva, infeliz, pobre de alma, sem tato.... Porque respondi, em uma postagem onde a pessoa reclama que deste 2002 (16 anos???) NÃO há nenhuma adoção na sua cidade (interior do Paraná), e que ela sente uma tristeza imensa pq a vez dela não chega.
Segue minha resposta na integra, sem edição, rsssss

“Triste pq? 
Não é sinal de que nenhuma criança está sendo negligenciada?     
Que, mesmo as que vão para o abrigo, estão conseguindo voltar para as suas famílias de origem?
Não é sinal de que, o número de gestantes drogatitas estão menores na SUA CIDADE?
Ou você acha que o juiz está abrigando bebês e deixando lá por 18 anos, só para a fila não andar?”


     Gente, que cidade ótima, este não é o sonho de todos, de que as crianças não sejam vítimas de maus tratos, de abandono, de violência? São 16 anos que nenhuma criança, na cidade dela, precisa sair de sua família de origem, quem dera que o Brasil todo fosse assim!

     Eu sou a devoradora de sonhos desalmada nos grupos, quando falo que há dois tipos de habilitados, o que quer ter um bebê e o de ser mãe, o primeiro, que deseja o bebê, é aquele que, muitas vezes, não conseguiu gerar, espera que venha a tão compensação de Deus para o seu coração, acha que só assim se sentirá completa, trocando fraldas, choros pela madrugada, ensinando a andar, falar, desfraldando.  E há o segundo grupo, que sonha em ser mãe, corre atrás, se prepara, estuda, se informa, levanta e assume o que deseja e paga o ônus do desejo da maternidade, seja ela bebê, seja ela uma criança especial, seja uma adoção tardia ou grupo de irmãos, NÃO fica condenando ninguém pelo ônus da sua escolha.

     Eu, quando iniciei o processo de habilitação li uma seguinte frase: É de uma crueldade imensa quem fica chorando porque não tem bebês para adoção! Não lembro quem escreveu isso, foi no antigo ORKUT. Levei tempo para entender, mas compreendi muito bem! Quando o adulto fica “batendo o pé” pq quer um bebê, ele está desejando que uma mulher sem estrutura engravide, que viole os direitos daquele ser já no útero, que o exponha a drogas, álcool, doenças, que toda a sua família extensa (avôs, tios, genitor) seja tão negligente como a genitora. E desejar que, em vez de ir para um berço ricamente decorado especialmente preparado para ele, vá para um abrigo, onde não terá o aconchego de mamar no peito, nem colo de madrugada nas cólicas que insistem em aparecer no meio da noite.

     Não tô escrevendo isso para que todos corram para as VIJ mudar o perfil para adoção tardia, especial, grupos de irmãos, os bebês também merecem ser adotados, mas quando critico uma postagem, e isso faço mesmo, tento instigar o pensamento do pq deixar para ser mãe daqui 10 anos, se já há crianças para adoção hoje?


Fica aí a reflexão! 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Relato de Uma Adoção Tardia.



Vou relatar um pouquinho do meu inicio com o meu filho.
Quando fui adotar me idealizei como mãe, eu seria a mãe:
- Que ouvia;
- Que questionava;
- Que acolhia;
- Que não alterava a voz; Ou seja, a mãe parceira.
Mas quando ele chegou, ele não fez o papel de filho que idealizei e me tornei a Mãe bruxa.
- Ele não me ouvia;
- Não fazia o que eu pedia;
- Me enfrentava e desafiava (em publico);
- Tudo que eu falava que era importante ele tratava com desdém e relaxo.
Eu fui criada no sistema de um olhar, se não entendia, minha mãe batia de vara até lembrar o pq estava apanhando. Então, minha mãe não precisava falar, bastava olhar para que todos em casa achasse o que fazer rapidinho.
- Notas vermelhas? Jamais!
- Interromper enquanto um adulto conversava? Jamais!
- Deixar roupas largadas? Jamais!
- Não realizar as tarefas? Jamais!
- Mentir? Jamais.
Cresci aprendendo que jamais deveria questionar um adulto, ele mandava e eu obedecia e achei que seria assim com o meu filho, bastaria falar uma vez e pronto, ele me atenderia.
Amarga Esperança que carreguei por meses...
Acordava e ficava quieta na cama para não acorda-lo, pois nossa convivência era péssima! Brigávamos o tempo todo que estávamos juntos, era um inferno na terra. Teve momentos que achei que tinha estragado a minha vida, que era tranquila e muito confortável.
Mesmo com todas as dificuldades, nunca pensei em devolução, pois sou a opinião que, compromisso assumido, deve ser levado para o resto da vida, independente da demanda, mas pensei em separação. Como ele se dava bem com o meu marido, eu ME DEVOLVERIA para meus pais, e ele ficaria com o meu esposo na nossa casa, seguiríamos com o pedido de adoção em conjunto, para garantir a ele todos os direitos legais (pensão, herança), aí restringiria a nossa convivência as visitas de finais de semana, passeios de férias, pq pensava que desta forma, os atritos diminuiriam.
Vivemos uma vida de inferno por 4 meses, até que eu tive o susto de uma suspeita de câncer, aí entrei no meu casulo emocional e passei a ignorar todos os comportamentos dele (como a minha psicóloga vivia falando que eu tinha que fazer, mas eu não conseguia). Isso foi um divisor de água, ele vendo que as provocações não surtiam resultados, começou a parar.
Mas hoje eu consigo ser realista, EU fui a maior culpada pelo inicio truculento que tivemos.
Eu fui GENERAL!
Meu filho tinha passado por tantas coisas, tantos maus tratos, era tão arredio e eu queria obediência cega dele, assim como eu fui criada!
Ele não estudava, aquilo me irritava, afinal EU estava dando a melhor educação que podia, pagando colégio, cursos, mas não perguntei se ele estava feliz lá!
Ele não cuidava das coisas, aquilo me irritava, afinal EU estava dando para ele tudo que ele nunca teve antes, mas esqueci de perguntar se ele sabia como cuidar de tudo aquilo.
Ele não comia o que EU mandava, mas nunca perguntei se ele conhecia aqueles alimentos tão diferentes do estado dele.
Sabe, aprendi a respeitar o tempo dele e ELE ME ENSINOU A MELHOR LIÇÃO QUE EU RECEBI NESTA JORNADA, aprendi a ser mãe, não a que idealizei, não uma replica da minha mãe, mas a que ele necessitava.

Hoje sou 3 mães distintas, pq cada filho reage de um jeito. E meus outros filhos devem a ele a mãe parceira, que acolhe, mas tb sabe se impor, coloca limites e mima. Foi ele que me ensinou a ser mãe, uma mãe que sabe avaliar cada momento, cada situação antes de decidir qual mãe tem que se apresentar.

* Os nomes foram retirados para resguardar o depoimento. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

8 Meses se Passaram...



Ontem fez 8 meses que nossa filha caçula chegou. Não falei muito da adoção dela no inicio, pq entendi que era um momento de recolhimento, mas agora resolvi escrever como foram os momentos iniciais.
No dia 15 de dezembro de 2016 às 15:10h o telefone celular tocou, estava no trabalho, tinha acabado de voltar ao trabalho depois de uma licença medica surpresa, tinha operado a apêndice de emergência e depois de quinze dias afastada, estava retornando ao trabalho. Reconheci logo o telefone da minha comarca, pensava que talvez fosse um pedido de depoimento, que vira e mexe faço, aproveitei que o cliente tinha acabado de sair para atender rapidinho até o próximo cliente chegar. Para minha surpresa, era para informar que havia uma criança no nosso perfil e questionando se poderíamos ir naquele dia a vara para saber mais do caso. Questionei se podiam adiantar algo, já imaginando uma menina de uns 8/10 anos, e aí veio a informação: “Posso te dizer que é uma menina de 8 meses!”
Aí meu mundo parou! Estão me chamando para uma bebezinha??? Oi???
Nunca, nunca mesmo imaginei ser mãe de bebê, mesmo tendo o nosso perfil definido a idade de 0 a 8 anos, sempre pensei que com o nosso perfil seria uma mocinha a chegar para completar nossa família. Falei que iria ligar para o meu marido e retornaria. Sai rapidinho da minha mesa para ligar para o meu marido, ele logo falou:

- Flor (sim, ele ainda me chama assim, mesmo com 10 anos de casados), acho que devemos falar NÃO, pq bebê menina TODOS querem e nós não temos problemas em assumir uma adoção um pouco mais especial, com deficiências ou que necessite de algum cuidado. Para esta menina certamente há um fila imensa de casais interessados, ela não ficará nem um dia a mais que o necessário no abrigo.

Concordamos em falar não, mas pessoalmente, pq aí já pediríamos a ampliação da idade para 11 anos, idade próxima do nosso filho mais velho. Marquei de ir à vara no final do dia para conversarmos, fomos prontos e certos da nossa decisão em NÃO ACEITAR a bebê e mudarmos o perfil para uma pré-adolescente.
Chegamos lá e fomos apresentados ao caso, uma menina, exposta ao HIV (com os exames apontando para a negativação) e com suspeita de ser intolerante a lactose (tomava leite especial). Nós olhamos e conversamos rapidamente pelo olhar (temos este dom) - ok, será fácil de esta menina achar uma família. Podemos falar não! – “Os casais que estão na frente falaram não e como a comarca entrará em recesso na próxima segunda, estamos buscando uma família que a possa adotar até amanhã! “
Ops, pq os casais na frente falaram não??? Meu pensamento, que é rápido como flecha, já elaborou um motivo, deve ser negra! Afinal estamos em um município de italianos, deve ser isso! Qual é a etnia dela? “Branca!” Surpresa total!!!
Pode me falar qual é o nome dela? Aí o coração palpitou rápido, ela tinha o mesmo nome que eu e meu marido falávamos que daríamos se tivéssemos uma filha, um nome dos anjos. Eu e meu marido, naquela conversa silenciosa do olhar já sabíamos que o “NÃO” aquela altura já tinha ido por água abaixo! O nome e o fato de ser rejeitada pelos casais que estavam na nossa frente, foi o sinal de que a pequena era para ser nossa!

- Em que abrigo ela está? Podemos conhecê-la hoje?
- Não querem ver a foto dela antes?
- Não, isso não nós importa!

Saímos ansiosos e fomos para o lado oposto do nosso município e encontramos, enrolada em mantinhas naquele fim de dia frio, uma pititica branquinha como leite e ficamos sem acreditar como as pessoas foram capazes de dizer não para ela! Sim, sei que nós tb quase falamos não, mas não pelo seu histórico, mas pelo fato de acreditarmos que seria muito fácil ela achar uma família, mas o passado do qual ela não tinha nenhuma culpa ou controle, a condenada. Aquele olhar esperto, que tentava entender o pq daqueles dois estranhos falavam engraçado e pq aquele menino (nosso filho mais velho) fazia palhaçada na frente dela, tentando roubar um sorriso, nós conquistou e roubou nosso coração!
Sair de lá foi difícil, doeu o coração em ter que deixa-la mais um dia no abrigo, mas saímos de lá, com a certeza de que a nossa filha brevemente estaria com a gente, que enfim tínhamos nos reencontrados.
No dia seguinte foi uma loucura, informei a minha chefia que iria emendar a licença medica com a licença maternidade e que eu voltaria dali 6 meses, pois minha filha tinha nascido para nós no final do dia anterior, trabalhei o dia todo fazendo mil planos - passar na loja mandar colocar um berço no carro, pegar o marido em casa, ir à vara assinar a guarda, ir para o abrigo e finalmente ir para casa - sim, não teríamos aproximação por conta do recesso, seria um parto rápido, sem muito tempo para nada. Aquele dia demorou a passar, tenho a sensação que cada 1 hora foi o equivalente a trabalhar 3 tamanha a ansiedade! Rssss
Nossa filha não nos deu sossego por muito tempo, logo nos primeiros dias ela apresentou varicela, tivemos que manter nosso dois outros filhos na casa da avó, para evitar contaminação, Natal e Ano Novo fiquei longe dos meus outros filhos, só meu marido indo vê-los. Dias longos, dormindo pouco, com ela largada com tanta febre e no colo 24 horas, único lugar que ela se sentia tranquila para descansar. Depois de mais de 10 dias começou a melhorar... Uma pequena folga, aí começaram os problemas de conjuntivite e problemas respiratórios, cuidados e tratamentos... Melhoras, pequenos problemas de saúde, melhoras e pioras, acabou que virou um ciclo. Passamos a ficar alertar e assim os meses foram passando.
Logo no inicio do mês de abril ela começou com quadros respiratórios que nós deixava preocupados, idas constantes em médicos, irritação no nariz, irritação na faringe, remédios, remédios e mais remédios, e nada dela melhorar. Tínhamos a sensação que ela se afogava para respirar, principalmente quando dormia, eu e meu marido passamos a fazer revezamento para dormir, um dormia e outro ficava acordado do lado dela, ida aos médicos passaram a ser constantes – “Exagero de mãe e pai, a menina não tem nada!” Sim, fomos taxados de exagerados, mas sentíamos que tinha algo muito errado, mudamos de medico, hospital, medico do SUS, particular, convênio, nada, absolutamente nada! “É só um resfriadinho que complicou a faringe, tome este e aquele remédio, vai passar em 5 dias, se não melhorar retorne aqui.”
Depois de tantas negativas, uma noite ela começou com quadro forte de tosse, meu marido a pegou e levou no UPA mais próximo, eu fiquei em casa com ou outros dois, pois a minha do meio naquela noite ficou assustada e dormiu agarrada no meu pescoço, se negando a ficar com os tios para que eu pudesse ir ao hospital. Meu marido passou a noite toda lá com a pequena, ela na inalação. Diagnostico? Bronquiolite. Ok, não é um problema tão serio! Retornou para a casa na manhã seguinte exausto, chegou a pedir para que a internasse, mas o medico não achou que o quadro necessitava de uma internação.
Resolvemos marcar uma consulta com a pediatra dela para o dia seguinte, para ver se as medicações estavam corretas e pedir uma segunda opinião, afinal tínhamos saído de uma faringe irritada para uma complicação de bronquiolite. Passamos aquelas 24 horas no alerta, sem dormir! No dia seguinte, o da consulta, ela começou a tossir novamente perto do horário do almoço, fiz inalação, ela se acalmou, nos arrumamos e pedi para meus outros dois filhos ficarem quietos no carro, para ela dormir, pois a tosse tinha se acalmado e ela dormiria um pouco até chegarmos ao medico. Não andamos nem 5 km meu filho mais velho fala: - Mãe, acho que ela não esta dormindo não!
Virei na hora para trás, e a vi branca desfalecendo! Meu marido que estava dirigindo berrou: “- Tira ela da cadeirinha logo!” A tirei, trouxe para o meu colo e ali o desespero aumentou! Comecei a chacoalha-la toda vez que ela ia de apagando! Meu marido ligou a alerta e acelerou com tudo, não daria tempo de chegar na pediatra, que era do outro lado da cidade, pedi para ele parar no UPA-SUS, que era mais próximo, pq ela precisava de oxigênio urgente! Ele parou no meio da rua e eu entrei naquela emergência com ela desfalecendo em meus braços pedindo ajuda! A enfermeira da triagem nem esperou eu dar entrada na emergência, falou: “- Venha mãe, vamos para o oxigênio agora!” A medica, da área de emergência, foi dar um pito na enfermeira que levou uma paciente sem autorização dela, mas ao ver o quadro da minha filha, passou a correr, oxigênio, inalação, injeção, estabilizar, avaliar, oxigênio, aparelhos para acompanhar a oxigenação, batimentos cardíacos, medicações...  Palavras começaram a ficar perdidas naquela confusão toda. “Liga para a central de leito, precisavam transferi-la para um hospital que tenha UTI pediatra, para o caso de uma parada.” - “Avisa a central que se esta menina ter uma parada aqui, não vamos poder fazer nada, é urgente!” - “Histórico mãe, precisamos do histórico medico dela!”
Explico a situação, do pouco que sabia deste que ela tinha chego para nós! Histórico da mãe biológica, da prematuridade, da intolerância... Meu marido começou a correr por fora, pelo nosso plano, conseguiu vaga no hospital infantil precisávamos de uma UTI móvel para a transferência, depois de muita demora, o próprio plano mandou uma UTI móvel particular para transferi-la! Parecia que os minutos que se arrastavam, iriam definir o destino daquela historia! Meu marido foi para o hospital, para ficar com a equipe de alerta para receber a nossa filha. Eu nunca tinha entrado em uma ambulância, mas naquela hora entendi o pq da necessidade de sempre dar a passagem para elas. O desespero define quem esta dentro de uma ambulância com sirene ligada cortando os carros. Chegamos ao hospital pediátrico, quando a porta da ambulância abriu, uma equipe a pegou e correu para dentro com ela, sendo seguida pelo meu marido! Finalmente respirei, senti que se tivéssemos uma complicação ali, pelo menos teríamos a UTI, avaliação novamente, exames e o diagnostico... O que era um exagero meu e do meu marido, era uma pneumonia silenciosa, pois ela não tinha tido nada de febre! Internação... Ali passamos dias, sem dormir, até que ela conseguisse respirar sem oxigênio, remédios simples não davam resultados, os antibióticos mais fortes foram usados, só aí a pneumonia cedeu.  Dois dias antes do aniversário dela veio a alta medica... Fomos para a casa esperando o resultado do exame de FC – Fibrose Cística, 10 dias depois veio à negativa.  

A festa de 1 ano foi o marco de sua nova vida, deste então nossa filha parece que expurgou tudo, o passado foi embora. Começou a melhorar, os problemas pulmonares passaram a ser resfriados, começou a engordar, e pasmem, todos os exames de alergia deram negativos. Hoje já usa leite comum, sem ser necessário as formulas. Seu desenvolvimento, cognitivo e motor, estão perfeitos. Sim, foram meses de cuidados, mas hoje tenho uma filha perfeitamente saudável, nada diferente das demais crianças da mesma idade!

          Amamos MUITO VOCÊ, nossa Pequena Grande Guerreira Paula!!!!

sábado, 22 de julho de 2017

Lidando Com o Preconceito na Adoção




Há uns dias, minha cegonha e a amiga Rosana Silva me pediu para escrever um texto falando do preconceito que passamos na adoção, principalmente na tardia. Não sou psicóloga, nem assistente social, sou apenas uma mãe que teve que aprender a lidar com este tema no dia-a-dia! Nem sempre é fácil falarmos sobre isso, porque é algo que nos machuca e expõe, mas vendo muitos relatos de pessoas que dizem que sofrem este tipo de preconceito na escola, no trabalho e, pior, de membros de sua família ou da (do) cônjuge, me fez ceder a este pedido.
Sim, o preconceito existe, e em algum momento vai te atingir ou pior, vai atingir teus filhos. Então fazer disso um tabu não irá ajudar em nada! Devemos falar SEMPRE com os nossos filhos sobre adoção, amor, união, isso dará um poder imenso a eles quando forem alvos de bullying na escola ou segregação familiar.
Você passará por diversas situações, desde a de um segurança com olhar especulativo te seguindo pq você esta contendo uma birra de sua filha de 2 anos, achando que você a está roubando; ou uma senhora sem noção, que questiona na frente de todos como pode você ter um filha negra sendo branca ou ainda, quando você está na fila do mercado negociando com o filho que ele pode escolher somente um doce e uma senhora na sua frente fala que se ele fizer birra é para falar que ele é adotado. Sim, são situações comuns e que a maioria das famílias já tiram de letra, mas as que marcam e ferem na alma são as que sofremos na escola e na família.
Na escola, porque não podemos estar lá para ser o escudo... festas de aniversários onde não são convidados, professoras que os tratam como delinquentes, que expõem a condição da adoção em frente aos demais colegas, não respeitando o direito da criança em decidir se deseja ou não compartilhar esta informação com os demais, segregação de professores preconceituosos, exposição a situações vexatórias na frente dos colegas. Estes são apenas alguns dos problemas comuns que ocorrem no âmbito escolar. Isto podemos resolver tendo uma conversa direta e, muitas vezes, mudando nossos filhos de escola 1, 2, 3, 4 vezes, até acharmos uma que os tratem como alunos e não como saco de pancadas de adultos mal resolvidos.
Na família as questões são mais delicadas, famílias que ainda estão se vinculando já tendo que passar por situações tristes de preconceito, segregação, ou tendo de ouvir piadinhas de mau gosto sobre os filhos e tendo que engolir, pelo bem e pela união familiar. Avós que não aceitam os netos “ilegítimos”, que dão presentes para todos, menos para os netos “postiços”; tias e tios que levam todos os sobrinhos para o parque ou shopping, menos os que chegaram pela via da adoção; familiares que taxam as crianças de problemáticas, mesmo que as demais crianças da família possuam os mesmos comportamentos e travessuras; a lista de preconceito e segregação neste meio é imensa, ler, ouvir, compartilhar destas dores no grupo de pós-adoção é de doer à alma!
Não há uma receita de bolo para fazer tudo dar certo e as coisas se encaixarem, mas é vital que as famílias constituídas pela adoção saibam que devemos nos resguardar. O PRÉ-CONCEITO sobre este tema é imenso, mesmo entre pessoas jovens e não tem como mudar este pensamento enraizado por anos, assim como muitos tentaram nos desestimular sobre a adoção antes dela ocorrer, e não conseguiram, também não vamos, do dia para a noite, fazer que eles mudem os conceitos passados de geração à geração. Elas só mudarão se estiverem preparadas e abertas para isso, então, expor as dificuldades do dia-a-dia só vai confirmar a elas que filhos por adoção são problema na certa.
Então há certas coisas que ocorrem no período de adaptação que NÃO devemos compartilhar com as famílias e amigos - surtos, agressões, história pregressa, história dos genitores - isso pertence aos membros que dividem o mesmo teto, não aos demais. Falar para seus pais (avós das crianças) que certas coisas estão ocorrendo, vão deixá-los muito tristes, pois aos saber que seus filhos estão sendo agredidos e ofendidos pelos netos ou que a maternidade/paternidade não esta ainda ocorrendo da forma sonhada e desejada faz nascer uma antipatia imediata pela criança, eles não entendem que isso é uma fase de adaptação, eles não fizeram o curso de adoção. Outra coisa, devemos compreender e aceitar, sim, aceitar, que as pessoas de mais idade, ainda tem o conceito que uma criança que veio pela via da adoção, tem que ser grata e obediente aos que a acolheram, que há diferença entre filiação biológica e adotiva.
Evitem entrar no arranca-rabo da comparação, ainda há muito disso dentro das famílias. Expor de forma clara e firme que isso é injusto para o seu filho é vital! Uma criança que foi desejada, amada, deste a sua fecundação e que teve todos os estímulos necessários para seu desenvolvimento intelectual, social e afetivo, não pode ser comparado com uma criança que vivenciou o completo oposto.
Se soubermos respeitar o tempo dos membros da família extensa, sendo firmes e deixando os limites claros, respeitando o que ocorre dentro de casa sem expor para os demais membros, com o tempo a vinculação irá ocorrer, ou pelo menos, aprenderão a conviver de forma harmônica. 

domingo, 9 de julho de 2017

DIFICULDADES DA ADAPTAÇÃO.




Queria devolver minha mãe, ela não se esforça em fazer o que quero!
Meus pais não me entendem, não se esforçam, acho que eles tem algum problema, devem ter me enganado para que eu os adotassem!
Faz 30 dias que estou com meus pais, mas sinto que eles não me aceitam como filha, já fiz tudo que podia, acho que não esta dando certo!
Minha mãe não sabe se comportar em público, sempre me deixa constrangida!
Por mais que eu ensine meu pai, ele faz ao contrário!
Sabe, eu queria pais mais novos, mas como não tinha, ampliei o meu perfil e aceitei estes que estavam disponíveis, mas não me sinto completa e realizada!
O passado dos meus pais me assusta, as vezes acho que eles não tem mais jeito!!!
Sonhei tanto em ter uma família, mas nunca achei que iria me sentir tão exausta depois da chegada dos meus pais, eles sugam a minha energia, me chamam o tempo todo, sinto falta de ter um tempo só para mim!

JÁ PENSOU QUE SE QUEM EXPUSESSE AS DIFICULDADES DA ADAPTAÇÃO DA ADOÇÃO FOSSEM AS CRIANÇAS???

VOCÊ ATENDE AS EXPECTATIVAS DO SEU FILHO, O IDEALIZADO POR ELE?

SUA IDADE?
SUA ETNIA?
SUA FORMAÇÃO?
SEU CABELO?
SUA CULTURA?
SEU GOSTO MUSICAL E LITERÁRIO?
SUA RELIGIÃO?

PENSE!

PARE DE ESPERAR QUE EM POUCOS DIAS SEU FILHO - POR ADOÇÃO - JÁ TENHA VINCULAÇÃO AFETIVA, SEJA UM LORD DE COMPORTAMENTO E UM SUPER DOTADO NA ESCOLA!


FAMÍLIA SE CONSTRÓI COM O TEMPO, DEDICAÇÃO, RESPEITO E AMOR!!!